The Tall Man: O Homem das Sombras e o dilema moral

(Fotos: Divulgação)

 

Filme sombrio que aproveita as paisagens cinzentas da British Columbia no Canadá (aqui a simular o estado norte-americano de Washington) para criar o estado de espírito da pequena localidade de Cold Rock. Reduzida à miséria com o encerramento das minas muito antes da história começar, uma crise suplementar serve para deixar a população emocional e moralmente devastada: o roubo das suas crianças, globalmente atribuídas ao misterioso “tall man”. Jessica Biel é a enfermeira Julia, uma das mentes mais serenas do local e viúva de um carismático ex-líder da comunidade. Até que a tragédia vai bater à sua própria porta.
 
Segundo trabalho do realizador francês Pascal Laugier, que deu nas vistas com o chocante “Martyrs”, filme de 2008 que criou tanto um clube de fãs quanto outro de ódio. Bem menos extremo e com o terror muito mais sugerido pelos ambientes das florestas e da própria aldeia, “The Tall Man” é a primeira produção norte-americana do realizador. Embora neste caso o significado não tenha tido uma grande valia – pois conforme ele relatou ao site Anticool, o filme foi feito totalmente às margens da grande indústria hollywoodiana, o que significou para ele total liberdade de ação. “Nunca tive um produtor às minhas costas a dizer o que fazer”.
 
Quando a Jessica Biel, o seu papel foi bem além de uma extenuante jornada como atriz, tanto física quanto emocional. Segundo Laugier, para além das grandes caminhadas e correrias pela floresta, a intérprete teve de lutar duramente para compor uma personagem que sofre uma grande carga emocional durante todo o filme. “Uma coisa é uma atriz chorar por algumas horas numa filmagem, outra coisa é repetir este estado de espíritos por vários dias consecutivos”, concluiu.
 
Mas o comprometimento de Biel não se ficou pelo desempenho: num momento-chave da produção, quando essa enfrentava problemas de financiamento, foi a atriz a puxar pelos cordões à bolsa e garantir que o projeto fosse terminado segundo os mesmos preceitos com que havia sido concebido. 
 
O filme teve bons resultados de bilheteira em França, com quase 600 mil espetadores e uma receita de € 4,5 milhões. Já a reação da crítica foi bastante dividida – prevalecendo avaliações medianas à obra. Por aqui já passou pelo Motelx e pelo Fantasporto. Laugier, por sua vez, desvinculou-se recentemente, por diferenças criativas com os produtores, do remake de “Hellraiser”. Ocorre que ele pretendia fazer uma obra séria, diferente da ideia dos financiadores, que queriam algo mais comercial e apelativo para os teens).
 
 
 
 

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