A Caça: a brutalidade da justiça coletiva

(Fotos: Divulgação)

 

Filme particularmente intenso que rendeu a Palma de Ouro de Melhor Ator a Mads Mikkelsen – aqui a viver um professor primário de uma pequena cidade acusado de abusar de uma menina. Perseguido pela população local, arrasta consigo o conhecimento da verdade, que não pode provar, tornando “a caça” particularmente dolorosa. 
 
A obra é considerada o retorno de Thomas Vinterberg ao primeiro escalão do cinema mundial depois da consagração de 1998 com “A Festa”. O ponto de partida para a história é curioso, conforme relatou o cineasta ao Collider durante o Festival de Toronto do ano passado, onde casou grande impacte. 
 
Segundo ele, certa vez um psiquiatra da vizinhança, que ele não conhecia, bateu à sua porta para perguntar se ele tinha realizado “A Festa” (obra que tem a pedofilia como tema central). Depois da resposta afirmativa, ofereceu uma série de casos que ele tinha e que na sua opinião deveriam ser transformadas em filme. Depois de uns anos engavetados, os relatos do médico vieram ao de cima e surpreenderam o cineasta pela força e a importância social dos casos. “Achei que era uma forma interessante de fazer uma antítese à ‘Festa’, que eu tinha realizado 13 anos antes”, disse.
 
Além de ser o primeiro trabalho do movimento Dogme 95, co-fundado por Vinterberg e Lars von Trier, “A Festa” rendeu ao realizador dinamarquês a Palma de Ouro em Cannes naquele ano. Embora sua carreira tenha permanecido sólida com filmes como “O Amor É Tudo” (2003), “Querida Wendy” (2004) e “Submarino” (2010), foi com este seu último trabalho que Vinterberg retornou à grande forma. Já o ator, que tem conseguido marcar presença em blockbusters (como “Quantum of Solace” e “Confronto de Titãs”), integra o elenco de “Um Caso Real”, que estreia dia 14 de março. Tem ainda na agenda o famoso papel de Hannibal Lecter na adaptação televisiva da famosa personagem criada por Thomas Harris.
 
Entre nomeações e prémios, destacam-se presenças nos Baftas (nomeação a Melhor Filme em Língua Não Inglesa), no European Film Award (vitória de Melhor Argumento), a escolha de Melhor Filme Independente Internacional pelo British Independent Film Awards e, mais importante, os prémios de Mikkelsen e do Júri Ecuménico no Festival de Cannes do ano passado. 

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