Blancanieves: irmãos Grimm com castanholas

(Fotos: Divulgação)
Existem diferentes maneiras de se trazer um conto de fadas para o cinema atual. A mais popular é a forma hollywoodiana, com orçamentos altíssimos, muita tecnologia, efeitos visuais e ação. E existe a singularíssima forma que encontrou o cineasta espanhol Pablo Berger para buscar a história de Branca de Neve e os Sete Anões: um filme à moda do cinema mudo, apenas com música e entretítulos, rodado em preto-e-branco e, a nível do argumento, adaptando o conto de fadas aos signos da cultura espanhola.

No centro desta está o mundo dos toureiros. Carmem/Branca de Neve (Macarena García) é filha de um famoso toureiro (Daniel Giménez Cacho) que, no entanto, nunca quis saber dela em função de desgosto que sofreu pelo facto da mãe ter morrido quando deu à luz. Criada pela avó (Angela Molina), só voltará a ter notícias dele um pouco mais velha. Então vai descobrir que a sorte dele não foi das melhores: paraplégico e trancafiado num dos quartos da sua mansão, tem toda a sua vida controlada pela sua antiga enfermeira Encarna (Maribel Verdú), com quem casou e que virá a se tornar a muito malvada madrasta de Branca de Neve. O resultado não é nada entediante, como se poderia pensar, além de render momentos de grande beleza visual e sonora.

Hollywood ibérica

 

Conforme relatou à Sensacine, essa era a expressão que Berger utilizava para definir, desde o início, aquilo que pretendia – algo ambicioso, com muita decoração, vestuário, quantidade de atores e extras. Com essa pretensão, acabou por encontrar as mesmas dificuldades como se estivesse na Hollywood original. Isso fez com que desde 2005 projeto se arrastasse pela mão de empresários que ficavam chocados com a descrição, na primeira página, de que se tratava de um filme mudo e preto-e-branco. 

Esta também foi a justificação para escolher Maribel Verdú para o papel de malvada, pois os custos de produção exigiam um nome conhecido do público espanhol – para além de ser uma atriz versátil: “Era uma atriz que já tinha feito de tudo, mas que nunca havia feito alguém tão má. Para mim essa personagem tinha que inspirar medo e, de vez em quando, riso – e ela fez um trabalho formidável”, observou.

Elogios também para a bela Macarena García no seu filme de estreia. Berger comparou-a a Penelope Cruz de “Jamón Jamón”, um dos grandes filmes de Bigas Luna e que impulsionou a carreira da hoje estrela internacional. “Macarena é alegria e emoção, os dois códigos com os quais trabalho”, afirmou. No elenco destaque ainda para a veterana Angela Molina, célebre por encarnar a mesma personagem de Carole Bouquet em “Esse Obscuro Objeto do Desejo”, de Luis Buñuel.

O sucesso do filme começou no Festival de Toronto (excelente recepção de crítica e público), continuou em San Sebastian (prémios para Berger e García), continuou com a escolha da obra para representar a Espanha nas nomeações ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira (não entrou para a lista final) e a consagrou-se finalmente com dez prémios nos Goya (incluindo todos os principais).
 
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 http://www.youtube.com/watch?v=OpPo33ozz3k
Realizador: Pablo Berger
Elenco: Maribel Verdú, Macarena García ,Daniel Giménez Cacho, Ángela Molina, Inma Cuesta. Espanha/França, 2012. {/xtypo_rounded2} 

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