doclisboa 2010: ‘Boxing Gym’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Depois de “La danse – Le ballet de l’Opéra de Paris”, um dos melhores filmes que esteve nas salas portuguesas este ano, Frederick Wiseman dedica agora o seu olhar ao dia-a-dia de um ginásio de boxe. A palavra-chave é “olhar”, já que nunca efectua uma entrevista, nunca interpela ninguém directamente, deixando a câmara rodar e tentando mostrar o quotidiano do tema a que se dedica.
Em Austin, Texas, o “Lord’s Gym” é gerido por Richard Lord, ele próprio um ex-lutador de boxe que se dedica agora a treinar pessoas de qualquer idade. No ginásio encontramos crianças pequenas e idosos, brancos, pretos e latinos, homens e mulheres, todos misturados com alguns nomes do boxe profissional, num ambiente de familiaridade e de ajuda. Com um olhar afastado, Wiseman consegue desfazer alguns dos estereótipos associados ao desporto e aos seus praticantes.

Durante as filmagens houve o massacre de Virginia Tech, onde morreram 33 pessoas, e temos oportunidade de ver como, num meio associado à violência, reagem alguns dos praticantes, alguns com respostas mais extremas, outros com calma e tentativa de compreensão do acontecimento em si.

É um filme curioso e a técnica de Wiseman, após ultrapassada a estranheza se não se conhece, permite perceber coisas diferentes do que uma série de entrevistas. Por outro lado, falta-lhe a recompensa final, algo que mostre o resultado de todo o treino. Parece que a ideia inicial teria sido seguir um lutador que volta depois de dois anos afastado, mas que se terá perdido no final. Ainda assim, vale a pena vê-lo.

O Melhor: Richard Lord é uma pessoa impressionante, calma e madura, a base do filme.
O Pior: A falta de uma recompensa final.

A Base: Uma visão única sobre o ambiente de um ginásio de boxe…7/10

João Miranda

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