
Após o primeiro fim-de-semana do doclisboa, talvez seja um bom momento para fazer um ponto de situação. Este ano o festival está em grande parte dedicado ao cinema suíço e com retrospectivas de Joris Ivens, Marcel Ophüls e Jørgen Leth, tendo, ainda assim, uma boa participação da produção nacional que tanto tem evoluído neste tipo de filmes.
Com sessões cheias ou mesmo esgotadas todos os dias, a resposta ao festival parece ser essencialmente positiva. Os problemas de atrasos têm sido mais sentidos no Londres, onde as sessões têm terminado na hora de início do filme seguinte, o que pode sempre trazer problemas para quem tente fazer um programa com várias sessões.
O júri também tem sido alguma fonte de descontentamento para mim. Um caso específico: durante a exibição de “Comboio” e “A Festa dos Rapazes”, exibidos na mesma sessão e os dois inseridos na competição nacional, estavam reservados 5 lugares para o júri. Como de costume, quer por distracção, quer por acharem que podem, 3 pessoas sentaram-se nesses lugares, que foram prontamente expulsos desses lugares por um funcionário da Culturgest, após a chegada de dois elementos do júri. Já tinha percebido de sessões anteriores que o número de lugares varia e que há convidados do júri que se sentam aí. A ideia que dá, é que se tratam de alunos universitários, e há, de facto, no júri “oficial”, que se encontra no site do doclisboa, docentes, o que justificaria o facto. O que não justifica é o comportamento destes ditos convidados: falam um com os outros, vêm as horas no telemóvel, namoram e, pior que tudo, abandonam o filme a meio. Não sei qual o princípio de escolha destes convidados, mas espera-se alguma forma de controlo por parte de quem os convida, ou a própria organização arrisca-se a ficar mal vista no processo.
Apesar desses pequenos incidentes, o doclisboa tem-se mostrado um festival de qualidade, com vários acontecimentos para além dos filmes (palestras, workshops, …) e com uma escolha de filmes que premeia a produção nacional. Espera-se que os próximos dias também tenham a mesma resposta do público e que o festival continue a crescer.

