“Comboio” foi produzido por uma equipa maioritariamente feminina, segundo a realizadora, sem qualquer subsídio, sustentado essencialmente pelo esforço pessoal das pessoas envolvidas. As pessoas que habitam o dito comboio são de vários tipos, algumas mais pitorescas que outras, cada uma representado épocas, classes, formações e objectivos diferentes. Um filme pertinente quando as dificuldades económicas parecem forçar parte da população a tentar sorte noutras paragens, mantém-se à margem de qualquer opinião, limitando-se a deixar esta pequena amostra desse movimento migratório expressar as suas opiniões, os seus medos e os seus sonhos. (6/10)
“A Festa dos Rapazes” é uma co-produção francesa, sobre uma festa semi-religiosa da qual se desconhece a origem, realizada todos os anos de acordo com a tradição. Rapazes vestidos de diabos, com caras e máscaras coloridas, percorrem as ruas da aldeia fazendo barulho, batendo-se uns aos outros e às pessoas por quem passam com bexigas de porco cheias de ar, lendo “comédias” onde gozam com acontecimentos do ano que passou. O ritual em si é fascinante, mas o realizador adiciona uma dimensão focando o convívio dos rapazes envolvidos, as festas e as actividades a que se dedicam, o comparar com gerações anteriores e o desaparecimento destes rituais associado à desertificação do interior. É um filme de grande beleza e grande vitalidade, com o ritmo tranquilo da vida do campo, do pastoreio e da preparação da festa e do Natal, um testemunho a um estilo de vida em extinção. (7/10)
Haverá uma sessão adicional com estes dois filmes a:
21 OUT. 20:45 – CULTURGEST – Pequeno Auditório

