doclisboa 2010: ‘Erotic Man’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

A natureza do erotismo é difícil de explicar. Jørgen Leth, de quem está a ser feita uma retrospectiva nesta edição do doclisboa, tenta fazer isso mesmo no seu último filme. Segundo a psicanálise, o olho é um órgão masculino; potenciado pela câmara, um símbolo fálico, dificilmente poder-se-ia evitar um filme que objectivasse as mulheres nele apresentadas e surgisse misógino, não no seu amor pelas mulheres, mas pelo seu tratamento delas. E é isso mesmo que acontece: numa série de cenas sem sentido, Leth faz comparações visuais de mulheres com objectos, obriga-as, pela leitura de textos inventados por si, a conformarem-se ao seu desejo, classifica-as com estrelas, desrespeita-as e é muito difícil não achar um bocado perturbador, se não mesmo ofensivo, ver um velho branco a olhar cupidamente para mulheres jovens durante hora e meia.
Apesar de procurar o erotismo, Leth acaba por fazer um filme obsceno, não pelas imagens em si, mas pela forma como trata e age para com as mulheres nele. “Erotic Man” é um retrato perturbador do próprio realizador.

Para quem, ainda assim, estiver interessado, há duas sessões adicionais no festival:
22 OUT. 22:15 – Cinema CITY CLASSIC ALVALADE – Sala 3
23 OUT. 22:15 – Cinema CITY CLASSIC ALVALADE – Sala 3

3/10

O Melhor: A fotografia cuidada.
O Pior: A misoginia.

A Base:
“Erotic Man” é um retrato perturbador do próprio realizador.

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