doclisboa 2010: ‘Into Eternity’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Como guardar os desperdícios nucleares até estes perderem a sua radioactividade em 100,000 anos? Esta é a pergunta com que lida “Into Eternity”, que se foca na tecnologia e construção de Onkalo, um complexo de túneis 5 quilómetros abaixo do solo, escavados em pedra, destinado a guardar parte desses desperdícios.

Com a Humanidade tendo uns poucos milhares de anos, 100,000 anos é um período de tempo inconcebível, aproximando a realização da tarefa a ficção científica. Como impedir que gerações futuras escavem este material tão prejudicial? Como comunicar com elas, se nem sabemos como serão? Como impedir que pensem que o lugar é alguma espécie de templo? Estas são apenas parte das perguntas exploradas por vários técnicos e pelo realizador.

Apropriadamente, o estilo do filme aproxima-se mais ao dos grandes filmes de ficção científica como “2001”, com uma sensibilidade contemplativa, usando a inóspita paisagem que rodeia o complexo em oposição aos túneis quase monumentais a serem escavados.

Este é um filme do qual se sai pensativo, em parte preocupado pelo futuro e pelo que se está a fazer para lidar com os mais de 200 mil toneladas de desperdícios que existem já, em parte maravilhado com o conceito de tentar comunicar com os nossos descendentes numa escala de tempo quase fantástica. Se chegar a ser distribuído nas salas comerciais, é um filme a não perder.

Exibições adicionais no doclisboa:
20 OUT. 22:30 – Cinema LONDRES – Sala 1
24 OUT. 23:00 – Cinema LONDRES – Sala 2

Informação adicional sobre este tema pode ser encontrada no site do filme: http://www.intoeternitythemovie.com

O Melhor: O estilo do cinema de ficção científica aplicado tão bem a um tema actual.
O Pior: Talvez alguns temas pudessem ter sido explorados mais profundamente, já que o filme só tem uma hora e um quarto de duração.

A Base: Se chegar a ser distribuído nas salas comerciais, é um filme a não perder…9/10

 
João Miranda

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