doclisboa 2010: ‘Punk is not Daddy’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Segundo o programa do doclisboa, este filme é “uma viagem pelos anos oitenta, testemunhada por um cineasta neófito”. Esta descrição, acompanhada por nomes como Heróis do Mar, GNR, Sétima Legião, Xutos & Pontapés e Delfins, pode induzir em erro o público, parecendo mais tentar aproveitar uma onda nostálgica que agora está em voga (o uso da expressão “Caderneta de Cromos” na conversa que antecedeu o filme pareceu deliberado). No entanto, “Punk is not Daddy” não se trata de um filme, mas de um anti-filme. À imagem da performance/anti-espectáculo de Farinha & Tao Zen num Rock Rendez Vous, Edgar Pêra recusa-se a apresentar qualquer tipo de coerência, estética, cronológica ou mesmo a nível de continuidade.

É um filme fragmentado, possivelmente frustrante para quem vá na onda nostálgica, e mais um exercício académico do que cinema para exibição em salas. Ainda mais a despropósito, só a cena a meio de uma conferência sobre o cinema português efectuadas na Gulbenkian, acompanhadas com legendas depreciativas. Infelizmente, deixei o pseudo-intelectualismo e o pretensiosismo nas outras calças, o que me impediu de apreciar o filme. Já em casa, uma pesquisa na net mostra que “neuropunk”, mencionada a meio e que poderia justificar o filme, só existe na cabeça de Edgar Pêra (cujo alias na net é apropriadamente Mr. Ego), tornando demasiado óbvio que punk is not daddy, it’s dead and rotten. Com o material que tem disponível, não se percebe a razão da apresentação deste filme ao público. Ainda assim, aposto que irá ganhar um qualquer prémio, entregue com muito sorriso brilhante e palmadinhas nas costas. Com sorte não aparece nas salas de cinema.

O Melhor:
A época que retrata.
O Pior: A falta de continuidade e o pretensiosismo.

A Base: Com sorte não aparece nas salas de cinema…2/10

 
João Miranda

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