doclisboa 2010: ‘To Shoot an Elephant’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
 
 
To Shoot An Elephant” é um documentário espanhol sobre o ataque israelita à Palestina no final de 2008. O nome, segundo se pode ler no site oficial, vem de um ensaio de George Orwell, “Shooting an Elephant”, uma crítica anti-imperialista onde um oficial da polícia em Burma abate um elefante por este ter morto um collie (ensaio completo em http://www.netcharles.com/orwell/essays/shootelephant.htm).
Afastando-se da polémica do Relatório Goldstone (http://www2.ohchr.org/english/bodies/hrcouncil/docs/12session/A-HRC-12-48.pdf), efectuado depois deste ataque no resultado de uma investigação das Nações Unidas, o filme concentra-se no ponto de vista da testemunha no terreno, acompanhando as equipas de ambulâncias tentando actuar em plena Operação Chumbo Fundido.

É um filme que toca por vezes o obsceno na urgência de registar o que se passa, sem tomarem conta a privacidade ou a dor das pessoas envolvidas, mas esse é um dos problemas do jornalismo visual (fotografia ou vídeo) depois da guerra do Vietname, exacerbado pela voracidade dos canais de notícias de 24 horas. Ainda assim, é um filme bem-intencionado, parcial pelo próprio ponto de vista adoptado, mas editado como resposta ao discurso oficial israelita que justifica o ataque como uma medida de segurança por causa dos ataques efectuados com morteiros desde essa área. Essa intenção é visível também pelo copyright de Creative Commons escolhido e pela disponibilização do vídeo completo online no site oficial (http://www.toshootanelephant.com/).

Este é um documentário de uma nova geração de media, realizado com custos reduzidos e distribuído de formas alternativas. Apesar disso, para qualquer interessado no tema ou para qualquer pessoa que desconheça a situação na Faixa de Gaza, este será um bom filme para ver e discutir.

Sessões adicionais no doclisboa:

18 OUT. 22:30 – Cinema LONDRES – Sala 1

24 OUT. 16:00 – Cinema LONDRES – Sala 1


O Melhor: A intenção e a utilização de novos meios para distribuição.
 
O Pior: A obscenidade do voyeurismo na sala de emergências.

A Base: para qualquer interessado no tema ou para qualquer pessoa que desconheça a
situação na Faixa de Gaza, este será um bom filme para ver e discutir. 7/10
 
João Miranda 

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