Os melhores de 2009, por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
2009 foi um ano cheio de propostas curiosas ao nível cinematográfico. 
Aqui fica o meu Top 5, que acaba por deixar de fora filmes inéditos em Portugal como “500 Days of Summer” (essa jóia do cinema indie), “Milk” (este fantástico biópico só apareceu por cá em 2009 mas já é do top do ano passado) ou o inspirador sucesso caseiro de “Paranormal Activity”. Ou “Up”, a prova que a Pixar é uma perfeita máquina de sonhos. 
Ou as duas grandes pérolas do cinema sueco que sugiram este ano: “Millennium”, o emocionante thriller que adapta o incontornável livro de Stieg Larsson ou “Let the Right One In”, um assombroso conto de vampiros.
Ficam aqui as minhas escolhas pessoais.
1 – Watchmen de Zack Snyder
 
 
O meu filme favorito de 2009 foi “Watchmen”, um título que me parece que foi alvo de muito cepticismo e crítico injustificada. É uma adaptação fiel mas arrojada do livro de culto de Alan Moore, e é uma proposta cinematográfica original e provocadora, politicamente audaz e que ataca a corrente de super-heróis que domina Hollywood. Snyder não cai nos delírios visuais de “300” e faz um filme musculado (lembro a cena do Vietnam) e visualmente soberbo (as cenas em Marte), e aposta em actores desconhecidos. Acerta em cheio com Jackie Earle Haley e Jeffrey Dean Morgan, mas falha redondamente com Matthew Goode que se espalha ao comprido num papel vital ao filme. Mas no final de contas, “Watchmen” é um filme excêntrico – no que promete, na sua posta em cena e até nos seus defeitos, que lhe encaixam numa luva como um filme que espalha a realidade de 2009.
 
 
 
2 – Inglorious Basterds de Quentin Tarantino
 
 
 
Quentin Tarantino altera o rumo da Segunda Guerra Mundial no seu filme mais bem conseguido desde “Pulp Fiction”. “Inglorious Basterds” está carregados de grandes personagens, grandes diálogos e grandes actores – especialmente Christoph Waltz, na interpretação do ano. 
Nunca um filme sobre a Alemanha Nazi foi tão histericamente hilariante e tão provocador em termos conceptuais. A recta final do filme – reminiscente do melhor cinema de Brian De Palma – é ouro sobre um filme perfeito.
3 – District 9 de Neill Blomkamp
 
 
 
2009 teve vários filmes onde os humanos são tiranos e os extra-terrestres vítimas, de “Avatar” a “Planet 51”, o mais complexo e curioso foi mesmo “District 9”. 
O sul-africano Neill Blomkamp adapta a sua curta “Alive in Joburg” com toda a frescura de ideias que um novo realizador deve ter. Temos um filme de ficção passado debaixo o escaldante sol africano, câmara ao ombro, e uma história cheia de acção e mensagens políticas. “D9” deixa alguns debates no final – e é sem dúvida a surpresa do ano.
 
 
 
4 – The Hurt Locker de Kathryn Bigelow
 
 
Foi uma pena este “Hurt Locker” ter passado despercebido em Portugal, mas é o filme de guerra dos anos 00. Esta história de uma brigada anti-minas em Bagdad que conta com cenas de tensão inacreditáveis (do mais electrizante que se alguma vez viu num filme de guerra) e um dramatismo enorme – é um filme de guerra com o magnetismo psicológico de “Apocalypse Now”. E um final que é um murro no estômago. 
Em plena justiça, espero que Kathryn Bigelow seja a primeira realizadora a ganha um Óscar, porque o trabalho dela é espectacular.
  
5 – Avatar de James Cameron
 
 
 
 
James Cameron (“Titanic”) regressa com a sua mais ambiciosa proposta à data, e revoluciona o cinema fantástico. Os efeitos visuais são perfeitos e o ambiente visual é impecável – entremos verdadeiramente num novo mundo e nem nos apercebemos que 60% do filme é feito digitalmente. 
Mas o segredo não está só aqui: Sam Worthington é um protagonista fenomenal, e a sua cruzada de amor e auto-descoberto num mundo de Avatar é emocionante e carismática.
No final, a sensação é a mesma de quando vimos “Star Wars” pela primeira vez.
José Pedro Lopes

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