
Desta vez a contestação vem da dita América religiosa, e tudo tem a ver com o filme “Creation”, que retrata a vida de Charles Darwin e obviamente foca a sua teoria da evolução das espécies.
Primeiro há que ter uma base para toda esta controvérsia. Ao contrário de grande parte dos países ocidentais, nos EUA apenas 39% da população assume a teoria de Darwin como válida. A partir daqui surgem então as complicações. Um influente site americano, Movieguide.org, que faz críticas a filmes sob um ponto de vista cristão, descreve o naturalista como “um racista e cujo legado levou a assassinatos em massa”. De acordo com o site, “ a sua teoria influenciou directamente Hitler e levou a atrocidades, crimes contra a humanidade, a clonagem e a engenharia genética”. Muitos outros sites, com as mesmas raízes cristãs, descrevem o trabalho de Darwin como “uma teoria patética com falta de evidências que a apoiem, apesar de uma centena de anos de tentativas”.
Já o produtor do filme, Jeremy Thomas, mostra-se absolutamente abismado com estas palavras. “É contra estas frases que temos de lutar. Em 2009. É incrível”. Segundo ele, “O filme ainda não tem distribuidor nos EUA. Já há negócios em todos os cantos do mundo, menos nos EUA, e tudo por causa da polémica em torno da teoria das espécies.” O produtor acrescentou ainda que “É incrível, mas na América ainda se acredita que ELE (Deus) fez o mundo em seis dias. É muito complicado para alguém no Reino Unido entender a religião na América.
Relembramos que o filme, que abriu o Festival de Toronto, e que teve a sua estreia em Inglaterra na passada semana, acompanha um Charles Darwin frustrado com Deus e com o perder da Fé após a morte da sua filha de 10 anos, Annie.
A obra foi desenvolvida pela BBC Films e pelo UK Film Council, contando com Paul Bettany e Jennifer Connelly no elenco. Inspirado no livro “Annie’s Box” de Randal Keynes (bis-bisneto de Darwin), o filme tem sido muito bem recebido pela crítica. Um dos maiores apoiantes da estreia do filme na América é a da publicação Hollywood Reporter. Segundo um critico da publicação, “seria uma vergonha que aqueles com convicções religiosas eliminassem uma ida ao cinema pois iriam achá-lo muito bem ponderado e sábio”.
(Actualizado)
A Newmarket adquiriu os direitos de exibição nos EUA hoje (25.09.09)

