
Porém, e analisando as primeiras 10 semanas do ano, a crise está longe de afectar as bilheteiras norte-americanas. E pasme-se, está neste momento a ocorrer um fenómeno que já não existia há muitos anos – em Hollywood os filmes tem demonstrado que têm pernas para andar.
Quem o diz é o Los Angeles Times, num artigo publicado esta semana por Claudia Eller. De acordo com a jornalista, e, analisando a tabela do box-office americano, há muitos anos que as películas não se aguentavam tantas semanas no Top. Para isso muito contribuiram filmes como “Paul Blart: Mall Cop”, “Taken”, “Coraline” e “Gran Torino”. Os filmes dos “oscars”, como “The Reader”, “Milk”, “The Wrestler” e o inevitável “Slumdog Millionaire” são outros responsáveis, pois atrairam ao cinema um público muito mais adulto, que se for preciso deixa passar a primeira semana de estreia e vai nas semanas posteriores.
Convenhamos que as 17 semanas de “Slumdog” no Top são sensacionais. Nos últimos anos, a indústria cinematográfica tem-se focado em atrair um público mais jovem. Não foi assim de estranhar que filmes como “Friday the 13th” conseguissem uns estrondosos 40 milhões de dólares na semana em estreia. Porém, logo nas semanas a seguir, os filmes perderam força, reduzindo a sua assistência na ordem dos 80%. “Jonas Brothers” é outro exemplo.Desceu 78% em receitas da primeira para a segunda semana em exibição.
Em oposição, “Taken”, por exemplo, conseguiu quadriplicar os valores conseguidos na semana de estreia. E temos de ter em conta que este não é um filme com as chamadas vedetas da dita A-List de Hollywood.
Com filmes mais maduros, e capazes de atrair adultos e jovens, Hollywood respondeu como devia à crise. Não é assim espantoso que nas tais 10 primeiras semanas, normalmente as mais fracas da temporada, tenha existido um aumento de espectadores na ordem dos 15 %.
Estes valores não excluem os menores resultados conseguidos pelos retalhistas no mercado do DVD. Aliás, não se pode de todo culpar a pirataria ou a crise, pela queda de vendas deste formato. O surgimento do Blue-Ray funciona para o DVD como quando desapareceu o VHS. O consumidor, ao ver que surge um novo formato mais capaz e resistente, abandona as grandes compras num formato “do passado”.
E como o Blue Ray ainda não consolidou nem atraiu toda a gente, é neste purgatório que o espectador vai mais ao cinema. Obviamente que a qualidade e a temática dos filmes ajudou em grande na tomada de decisão. Nem que seja para fugir um pouco ao mundo real em crise.

