O Instituto do Cinema e do Audiovisual anunciaram hoje os dados relativos à exibição cinematográfica em Portugal. De notar que em relação ao mesmo período no ano passado, houve um decréscimo na ordem dos 430 mil espectadores. Curiosamente, esse decréscimo não foi acompanhado proporcionalmente em termos de box-office, e apesar de os valores terem sido inferiores, o facto de terem estreado mais obras em 3D (com bilhetes mais caros) levou a uma menor diferença nos valores.
De destacar a Zon Lusomundo e a Castello Lopes que perderam, cada uma, aproximadamente um milhão de espectadores em relação a 2010. No caso da Castello Lopes, há que dizer que denota-se a diferença que «Avatar» fez no início do ano passado, pois o filme conseguiu mais de 500 mil espectadores em 2010 (que somados ao que já tinha no fim de 2009 levaram o filme a ter mais de um milhão de espectadores, no total). No caso deste distribuidor há a certeza que os seus resultados serão tremendamente baixos este ano, agora que se afigura a perda dos direitos sobre os filmes da 20th Century Fox – que vão para uma empresa criada, denominada Big Picture.
Já na Lusomundo houve uma queda igualmente preocupante, especialmente porque estrearam mais 18 filmes do que no mesmo período no ano passado (51 em 2010, 69 em 2011). De notar porém que o filme mais visto este ano, «Piratas das Caraíbas Por Estranhas Marés» é deste distribuidor, mas flops (que nem chegaram a estrear) como «Mars Needs Moms» (a animação da Disney é normalmente uma boa fonte de receitas) não ajudaram nada este resultado.
Também a descer estão todas as companhias ligadas a Paulo Branco, quer seja a Clap Filmes, quer a Atalanta Filmes. A VLC Multimédia desceu também, ainda que tenha estreado mais uma obra que no ano transacto.
Em oposição, a Columbia TriStar Warner aumentou em quase um milhão de espectadores as suas obras. O sucesso de «O Turista» (Terceiro filme mais visto este ano) e mais quatro obras sólidas, contribuíram para esse resultado. A Pris também cresceu em relação ao ano passado, o mesmo acontecendo com a Midas Filmes (que bem pode agradecer a «Pina» e a mais 4 estreias que no ano anterior) e a Alambique.
Mas se na distribuição a Zon Lusomundo pode ter grandes queixas, em termos de exibição nem por isso, tendo mesmo crescido 4.% em receitas. O mesmo se passa com a Socorama, Algarcine e SBC-Spean. Em oposição, todos os outros exibidores diminuíram os seus valores, destacando-se a Medeia Filmes e outros pequenos cinemas que perderam acima dos 28% de espectadores.
O 3D volta aqui a ter um papel fundamental pois em termos de espectadores, as quedas foram generalizadas. No caso da Zon e da Socorama pode-se mesmo dizer que o 3D «salvou o semestre».
Jorge Pereira

