A Medeia Filmes anunciou ontem o encerramento das quatro salas de cinema, que programa nas galerias Saldanha Residence, a partir de segunda-feira, 9 de Maio, devido a questões financeiras, que se tornaram impossíveis de contornar num cenário em que é necessário fazer grandes investimentos no que toca à digitalização dos espaços e não há retorno.
A empresa, que já tinha saído da gestão dos cinemas no «Alvaláxia» há uns anos atrás (e antes disso do Freeport), vê assim o seu campo de acção voltar a diminuir em Lisboa, operando agora no Cinema Monumental, King, Fonte Nova e Nimas.
Para Paulo Branco, dono da empresa e produtor de cinema, os responsáveis por esta situação são os grandes grupos económicos, sendo mais uma vez visada a Zon Lusomundo, que com a sistemática «oferta de bilhetes» levou a que estas salas perdessem espectadores. A «digitalização» à força por parte dos distribuidores, foi outro dos problemas levantados por Branco, que se queixou ainda de existirem demasiados apoios a Festivais e poucos às salas de cinema. A Câmara Municipal de Lisboa também foi acusada de ter responsabilidades, sendo porém os grandes visados das criticas a Autoridade da Concorrência, bem como do próprio Instituto do Cinema e do Audiovisual.
Contactada pelo c7nema, a Medeia Filmes esclareceu ainda que o encerramento desta sala vai levar à dispensa de funcionários, não acrescentando porém se alguns deles serão integrados noutro espaço do grupo.
No que toca ao futuro, a empresa promete manter o mesmo nível de “diversidade, rigor e qualidade […] e concentrar a oferta cinematográfica de qualidade, bem como terminar o trabalho de renovação e digitalização» das restantes salas que continua a gerir.
Jorge Pereira

