São raras as semanas em que podemos dizer que estreiam nas salas de cinema três obras faladas em português. Quatro, aliás, se levarmos em conta a versão portuguesa de «Hop».
Continuam a estrear muitos filmes nas nossas salas, e esta semana são mais uma vez oito filmes.

«Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro»
Neles destaca-se à cabeça «Tropa de Elite 2», sequela do já clássico de 2007 que volta a contar com Wagner Moura como o Capitão Nascimento. Mas se o primeiro filme era duro e até apelidado de “fascista”, esta segunda obra é muito mais política e densa, saindo das favelas e entrando nas ramificações para lá dos traficantes de droga de rua.
O espírito mantêm-se, mas ganha mais maturidade, ainda que perdendo a irreverência do primeiro filme. De qualquer maneira, esta é a minha escolha para estreia da semana.
No que toca a outras obras faladas em português, há duas produções nacionais em estreia. A primeira é «A Espada e a Rosa», primeira longa-metragem de João Nicolau, que co-assina o argumento com Mariana Ricardo. Estreado mundialmente em Veneza e, em Portugal, no Estoril Film Festival, João Nicolau apresenta-o como «um filme de aventuras e pirataria passado nos dias de hoje. Um filme musical que aborda e saqueia utopias. Um itinerário da perdição.»
Para além de Lisboa e Porto, a obra pode ser vista também em Matosinhos, Almada e Coimbra.
Já a segunda estreia nacional é «15 pontos na alma». Passado em Lisboa, o filme segue Simone, uma mulher que sai do trabalho atrasada para uma festa. Ela tem vinte minutos para chegar a Oeiras. Assim que entra no Viaduto Duarte Pacheco, vive um estranho acontecimento que irá mudar a sua vida para sempre. Um homem de trinta anos, Guilherme, está pronto a saltar. Simone sai do carro e aproxima-se tentando salvá-lo. Qualquer coisa os une. Um beijo. Simone abre os olhos mas já não o vê. Ficou com o último beijo deste homem que agora quer conhecer.
Obcecada em descobrir quem é aquele homem, Simone introduz-se na família de Guilherme e faz-se passar por namorada, amante e mulher, procurando conhecer o homem que nunca chegou a ter.
A temática do filme faz lembrar uma obra que passou recentemente no Fantasporto, intitulada «9.06», ainda que seja no cinema americano clássico que o filme encontra o seu fascínio, especialmente em torno da sua personagem principal. Com a realização de Vicente Alves do Ó (Monsanto), «Quinze Pontos na Alma« está em exibição em Lisboa, Porto, Coimbra e Setúbal.
Do mesmo realizador de «Alvin e Os Esquilos» e produzido pela Illumination Entertainment de Chris Meledandri, responsável por «Gru – O Maldisposto», chega aos cinema «Hop», uma comédia sobre C.P., o jovem filho do Coelho da Páscoa. A um passo de assumir o negócio da família, C.P. (voz original de Russell Brand e Luís Franco Bastos na versão Portuguesa) vai para Hollywood com o objectivo de realizar o seu sonho de se tornar baterista. Encontra Fred (Rui Porto Nunes na versão Portuguesa), um indolente desempregado, com grandes sonhos, que acidentalmente atropela C.P. com o carro. A fingir que ficou lesionado, C.P. pede-lhe abrigo, e Fred tem agora consigo o pior dos hóspedes.
Sem grandes dificuldades, «Hop» deverá ser o campeão de bilheteira desta semana, provavelmente destronando «Gnomeu e Julieta», outra animação. Não há dúvida que o cinema juvenil/infantil é aquele que continua a ter bastante força nos cinemas em Portugal, sendo facilmente perceptível porque razões estreiam cada vez mais obras do género nas salas. Para além disso, com o impulso do 3D – que dá mais dinheiro – é natural que estas obras se propaguem… que nem coelhos…
O filme tem funcionado bem nos EUA, havendo porém a ressalva que os mais crescidos gostam menos da obra que as crianças, definitivamente o seu público-alvo. Por isso, se tem crianças, esta é a opção da semana.
«E a noite a cair»
Se preferirem uma obra de terror a escolha é «E a noite a cair», «survival movie» passado na Argentina que acompanha duas jovens às voltas com um rapto. O c7nema falou com o realizador em estreia, que nos explicou um pouco mais sobre este filme mais atmosférico que verdadeiramente de horror.
Estreia também nas salas nacionais «Engana-me que eu gosto», uma comédia que junta Adam Sandler e Jennifer Aniston numa comédia em jeito de farsa e repleta de mal entendidos. Sandler e Aninston têm protagonizado algumas comédias divertidas, mas ultimamente os seus trabalhos têm sido francamente fracos. Há quem diga que ainda bem que se juntaram em «Engana-me que eu gosto», pois assim só se estraga um filme.
«Engana-me que eu gosto»
«Engana-me que eu gosto» é um remake do filme de 1969 «Cactus Flower», protagonizado por Walter Mattau, Ingrid Bergman, e Goldie Hawn (que ganhou um Óscar), que por sua vez foi uma adaptação ao cinema de uma peça da Broadway, que curiosamente provinha de um original francês chamado «Fleur de cactus». Todas elas eram farsas, com inúmeras mentiras, esquemas e mal entendidos. Neste remake, Sandler é Danny Macabee, um cirurgião plástico que, após um desgosto de amor, decide entrar na habitual espiral de aproveitar-se das mulheres. Assim ele usa aliança, mas não é casado. Consegue muitos encontros, mas não tem algo mais com as mulheres devido ao seu suposto estado civil. E pode-se dizer que lá vai conseguindo os seus intentos, até que conhece alguém por quem realmente se interessa.
Não há nada de novo na cinematografia dos dois actores, eternamente agarrados a comédias românticas ou comédias de trintões com nostalgia da juventude.
Os casais de namorados devem escolher massivamente o filme, mas a satisfação não estará garantida.
Quem também estreia em Portugal é «Road To Nowhere – Sem Destino», um filme sobre a filmagem de uma fita sobre o aparente suicídio de um casal de amantes. Esta é uma obra com vários níveis, que se vai compreendendo conforme os elementos vão surgindo nas interacções das personagens, num percurso com vários twists e onde nem sempre acontece o que se espera.

«Road To Nowhere – Sem Destino»
Realizado por Monte Hellman, que não fazia longas-metragens há 20 anos, o filme é descrito pelo próprio como «um enigma impossível». Na 67.ª edição do Festival de Veneza, recebeu um Leão de Ouro Especial, tendo também passado pelo Estoril Film Festival.
Finalmente, «Num Mundo Melhor» marca a estreia da PepperView Entertainment no nosso mercado.
Realizado por Susanne Bier, o filme segue Anton, um médico que divide o seu tempo entre a sua casa numa cidade idílica da Dinamarca, e o seu trabalho num campo de refugiados em África. Nestes dois mundos tão distintos, ele e a sua família enfrentam conflitos que os vão levar a escolhas difíceis entre a vingança e o perdão. «Num Mundo Melhor» proporciona uma visão única e fascinante sobre as diferenças entre o pacifismo, a vingança e o perdão. Pena é que só possa ser vista em Lisboa e Porto.
Jorge Pereira

