Esta semana há dois filmes que pelo seu mediatismo, em termos internacionais, merecem destaque.
O primeiro é “Sucker Punch – Mundo Surreal”, um filme que tem desiludido no box-office dos EUA e que é realizado por Zack Snyder, responsável pelo remake de “Dawn of The Dead” “300” e “Watchmen”.
O filme tem tido uma publicidade tremenda, especialmente no mundo da Web onde se encontrará talvez o maior nicho de adeptos do género. Mas haverá realmente um target definido para o filme? Como disse num artigo aqui recentemente, “Sucker Punch” uma obra sobre nada, que teoricamente vai agradar aos jovens masculinos, mas que possui alguns argumentos que levam estes também a afastarem-se. Primeiro é maioritariamente composto no seu elenco por mulheres, que aparentemente andam meio despidas pelo ecrã. E se este elemento leva às salas adolescentes cheios de testosterona, o mesmo afasta o publico feminino. Já no que toca a acção, estas mesmas mulheres afastam-se da obra, restando os mesmos adolescentes masculinos como publico alvo. Mas mesmo dentro destes há quem se mantenha longe da fita por falta de actores masculinos para a acção. Os adolescentes gostam de filmes com belas mulheres, mas necessariamente não terão de ser estas a executar a acção/serem heroínas. Escapa-se “Resident Evil”, liderado por uma mulher, mas que cumpre com que se espera. Zombies, Tiros, porrada, Milla Jovovich e um famoso videojogo famoso por trás. Já “Sucker Punch” é uma incógnita. Tem um trailer a puxar a “Watchmen”, mas um look que retira tom sério à acção. Parece mais um videojogo que um filme.
Em termos de enredo podemos dizer que o filme acompanha Babydoll (Emily Browning), uma jovem internada num asilo pelo seu padrasto malvado e que automaticamente cria uma realidade alternativa na qual se apoia para construir uma fantasia em que é uma mulher muito mais forte e independente e que não olha a meios para alcançar a liberdade.
Fica a incógnita do sucesso, ou não do filme, em Portugal.
A segunda estreia mediática, em termos internacionais, é um filme que de certeza vai passar ao lado dos portugueses. Falamos de “O Tio Boonmee Que se Lembra das Suas Vidas Anteriores”, que foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2010 e que por cá passou pelo Festival de Curtas de Vila do Conde.
Realizado por Apichatpong Weerasethakul, o filme segue um homem que vive a fase terminal da sua doença. Consciente do pouco tempo que lhe resta, ele resolve passar os seus últimos dias no campo, rodeado das pessoas que ama. É nesses dias que o espírito da mulher volta para cuidar dele e o seu filho, desaparecido há muito, retornando sob a estranha forma de um macaco negro de olhos brilhantes.
Juntando o cinema de tons mais artísticos com o fantástico e especialmente a obsessão tailandesa com a morte, os espíritos e o caminho destes até ao outro lado, “Tio Boonmee” é um filme que surpreende pelo visual estilizado e o tom poético do drama que é o assumir o chegar da morte. Um filme interessante, de um homem que afirma que acredita na “transmigração das almas entre seres humanos, plantas, animais e em fantasmas. A história de Tio Boonmee mostra a relação entre homens e animais e ao mesmo tempo destrói a linha que os divide.”
Seguindo nas estreias, vou já falar da aberração da semana. Martin Lawrance está de regresso em “Agente Disfarçado: tal pai, tal filho”. É surpreendente o filme chegar à terceira sequela, mas ainda mais surpreendente é esta obra chegar a cinema, vindo de quem vem (Castelo Lopes). Só para terem uma ideia da razão porque digo isto, este distribuidor tem enviado alguns filmes directos para o mercado de DVD. “Nunca Me Deixes” ou o “Corpo de Jennifer” são apenas dois exemplos. Como “Agente Disfarçado: tal pai, tal filho” chega às salas, só eles sabem…
“Big Momma está de volta – e desta vez não vem sozinho: o seu afilhado adolescente Trent (Brandon T. Jackson). Martin Lawrence de regresso ao agente do FBI Malcolm Turner e ao seu alter-ego enquanto agente disfarçado – Big Momma. Turner é acompanhado por Trent, à medida que se infiltram numa escola de artes de raparigas, depois de Trent testemunhar um assassinato.”
Martin Lawrance é um actor completamente unidimensional, e se em “Bad Boys” ou em “Nada a Perder” tinha alguma graça pelo tom novidade, todos os filmes realizados após estas obras (‘Segurança Nacional’, ‘O Cavaleiro Negro’, ‘Bad Boys 2’, ‘Agente Disfarçado 2’) revelaram um actor extremamente limitado e que parece que interpreta a mesma personagem em todos os filmes.
Mais uma vez ele veste-se de mulher e disfarça-se, tentando de certa maneira fazer o que Eddie Murphy também já fez em inúmeras obras. Mas se original também fracassou neste género de incursões, a imitação é ainda mais aberrante.
Quem também estreia nas salas é “Sobre Rodas”, um filme que marca a estreia de Drew Barrymore na realização. O grande destaque do filme vai para a sua protagonista, Ellen Page, que trás alguns dos tiques de “Juno” para este trabalho, e consegue transformá-lo num trabalho curioso.
Passado no Texas, seguimos as aventuras de Bliss (Page), uma jovem de uma terra do interior que decide juntar-se a uma equipa de ‘Roller Derby’ de Austin sem os seus pais saberem. As suas colegas de equipa são totalmente diferentes das mulheres que conhece na sua terra natal: liberais e cheias das idiossincrasias das grandes cidades.
Se procuram uma comédia nos cinemas este fim-de-semana, esta é a melhor opção no que toca a estreias. Pena é que o filme chegue atrasado, mas já estamos habituados com isso.
Quem também estreia é “Perigo à Espreita”, um filme que coloca Hillary Swank como inquilina de um senhorio, acima de tudo, perverso.
O filme abriu a semana oficial do Fantasporto, apresentando-se como uma tentativa de suspense hitchcockiano com uma entrada curiosa no campo do perverso, mas sem nunca ser verdadeiramente arrojado. Aliás, o mais curioso do filme é começar como se de um romance se tratasse, até que vemos uma segunda versão do que aconteceu até certo ponto, agora seguindo os olhos de outra personagem
Os que desejam sustos e suspense minimamente interessante, devem ver esta obra, que só peca pelo seu final demasiado vulgar.
Finalmente, e no reino da animação em 3D, estreia “Winx Club – A Aventura Mágica”. As celebrações do início do ano lectivo estão a decorrer na Escola de Fadas de Alfea, quando a festa é subitamente interrompida por Icy, Stormy, Bloom, as Winx vêm-se obrigadas a resolver os distúrbios causados pelas bruxas que, depois de arruinar a festa, roubam um poderoso e misterioso objecto. Entretanto, Bloom está em Domino, onde desfruta do melhor momento da sua vida enquanto princesa. Ela finalmente encontrou os seus pais e Sky pediu-a em casamento.
Mas nem tudo é cor-de-rosa, e as três bruxas ancestrais regressam para atormentar Stella, Layla, Tecna, Musa, flora e Bloom. Além disso, Erendor, pai de Sky, proíbe o filho de casar com a princesa.
É curioso denotar que cada vez mais estreiam obras de animação nas salas. Com o decréscimo das idas ao cinema, é notório que quem resiste mais a isso são os filmes deste género, pois os pais lá pegam nas crianças e levam-nas a um programa no centro comercial. Duvido bastante que antes do boom do 3D, obras como esta estreassem nas salas, mas derradeiramente, estes filmes parecem ser a ultima barreira de valor seguro no box-office.
Jorge Pereira

