Estreias da Semana (24/03/2011): ‘Never Say Never’, ‘Manhãs Gloriosas’, ‘Rédea Solta’, ‘Camino’, ‘Mel’ e ‘Alfa e Ómega’

(Fotos: Divulgação)
Entre as estreias dos candidatos aos Óscares e a chamada silly season, ou época de filme de “Verão”, Portugal continua a ver estrear nas suas salas obras que bem se podiam apelidar de restos de colecção.
Esta semana volta a não haver nenhum trabalho que se destaque particularmente, apesar de o marketing dos estúdios tentar fazer crêr o contrário.
 
 
 
Por um lado temos a estreia de “Never Say Never”, um filme/concerto totalmente orientado para um público infanto-juvenil e claramente fã de Justin Bieber.
O fenómeno do canadiano Bieber faz-me lembrar aquele cão que surgia em “Hot Shots” (Ases pelos Ares) pois onde quer que estejamos (TV, Internet, Rádio) mais cedo, ou mais tarde, vamos tropeçar nele. Com a realização de Jon Chu (“Step Up 2” e “Step Up 3D”), o filme acompanha a ascensão de Bieber no mundo da música, desde os tempos dos vídeos caseiros no YouTube, passando pelos pequenos concertos de rua em Stratford, no estado canadiano de Ontário, até a um megaconcerto no Madison Square Garden, em Nova Iorque. A importância que a Internet teve na carreira do jovem é fulcral, numa peça imperdível para os fãs do jovem, que são bastantes e encheram a sala na sua antestreia (com cartazes e tudo).
Também em estreia, e após alguns adiamentos, está “Manhãs Gloriosas” (Morning Glory), comédia passada nos bastidores de um programa matinal que ainda roça tons mais românticos mas que acaba por se despenhar num filme de amizades profissionais meloso. Rachel McAdams é a grande estrela do filme, que apesar de ter Harrison Ford e Diane Keaton podia ser menos caricatural e superficial que o é. 
 
 
 “Manhãs Gloriosas”
Mas só pela personagem de McAdams, a Becky, o filme merece uma olhadela, sendo porém um produto de segundo nível.
Quem também regressa às nossas salas são os irmãos Farrely, eternamente lembrados por “Doidos por Mary” e “Doidos à Solta”. Os Farrely deram nos anos 90 a lufada de ar fresco que o humor precisava, pegando sistematicamente em pessoas à margem do que é socialmente aceite ou do que é visto como “normal”. É frequente ver gordos, aleijados, gémeos siameses, pessoas com QI de 50, entre outras personagens bizarras que criam ambientes e filmes excêntricos.
Aqui eles seguem dois homens casados que, apesar de felizes, sentem alguma nostalgia em relação às suas vidas de solteiros. Quando as suas mulheres (Jenna Fischer e Christina Applegate) se apercebem que algo não está bem com eles, tomam uma medida arriscada: dão-lhes uma semana de total liberdade, durante a qual os dois amigos poderão fazer tudo o que desejam sem quaisquer justificações ou consequências.
 
 
 “Rédea Solta”
 
Para todos os efeitos, “Rédea Solta” (Hall Pass) mantém a marca dos irmãos de fazer o espectador rir-se com situações constrangedoras, só que ao longo da última década, e perante tanta cópia do modelo de “humor de casa-de-banho/sexual, o espectador ficou cansado, e quer algo diferente ou que o volte a surpreender. 
Limitado a uma sala em Lisboa e outra no Porto está “Mel” do turco Semih Kaplanoðlu, vencedor do Urso de Ouro na 60.ª edição do Festival de Berlim. O filme já passou no Estoril Film Festival, uma enorme rampa de lançamento para um grande número de obras da Atalanta Filmes (“Copacabana”, “Mel”, “Tourné”). 
 
 
“Mel”
Inserido na trilogia do cineasta dedicada à infância e adolescência, o filme – de ritmo lento– segue Yusuf (Bora Altas), um miúdo de seis anos que vive com o pai apicultor que encontra nessa actividade o sustento da família. Mas um dia o pai não regressa a casa e o jovem deixa de conseguir expressar-se por palavras.
Para além de premiado em diversos certames, “Mel” (Honey) é um filme tocante que agradará aos fies adeptos do cinema europeu habituados a obras realísticas e naturalísticas. Por vezes parece um documentário, mas com as sensações à flor da pele.
Pena é que o resto do país continue a ser paisagem. É urgente a digitalização de salas por todo o país, de maneira a que estas obras consigam chegar fora das grandes cidades e com menos custos para os distribuidores.
Ainda no que toca a cinema europeu chega aos cinemas, com atraso, “Camino”. O filme passou pela Mostra de Cinema Espanhol (Lisboa) em 2009 e  chegou ao Fantasporto em 2011. 
 
 
“Camino” 
Sob a capa de fazer uma crítica directa à Opus Dei, Javier Fesser apresenta “Camino”, o filme que foi grande vencedor dos Prémios Goya (Óscares Espanhóis), em 2009. Baseado na história verídica de uma menina que morreu em 1985, e que agora está em processo de beatificação, o filme acompanha Camino, uma jovem que vive numa família muito ligada à religião, e nomeadamente à Opus Dei. (obra de Deus).
 
Quando lhe é diagnosticada uma grave doença, Camino começa a ser “usada” como propaganda religiosa sobretudo pelos padres da “Obra”, e até pela própria mãe, uma mulher cega perante os ensinamentos da Opus Dei.
Também com atraso chega às salas “Alfa e Ómega 3D” (Alpha & Omega 3D), um trabalho de animação que por cá estreia em sala, mas que podia perfeitamente passar directamente para vídeo. Para além da história não ser de todo fascinante, apesar de não ser aberrante, o tipo de animação sem grande detalhe, e faz lembrar muitos produtos televisivos.
 
 
“Alfa e Ómega”
Aqui seguimos dois lobos de linhagens diferentes. Ela é uma Alfa, de uma casta mais conhecida pela sua disciplina e capacidade de liderança; ele é Omega, uma categoria inferior, muito mais descontraída, despreocupada e desorganizada. Ambos vão se ver numa aventura quando são levados para um parque longe do local que vivem, podendo essa “fuga” levar a uma guerra no antigo território onde viviam.
O resto é o que já se espera de um trabalho desta índole. Aventuras, amor e alguma diversão para os mais pequenos.
Jorge Pereira

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