
O Festival de cinema do Estoril, este ano na sua quarta edição, esforça-se por ser mais do que uma mostra de cinema, organizando eventos paralelos, exposições, concertos, palestras e homenagens.
Foi possível também ouvir falar o juiz Baltasar Garzón, detalhando a sua luta contra a reacção de poucos e a passividade de muitos para poder documentar os desaparecidos durante a Guerra Civil e a ditadura de Franco que se seguiu, referindo que os crimes contra a humanidade não devem ser esquecidos, amnistiados ou prescreverem. Apelou à luta contra a indiferença pela vida ética, pela educação, pelos media, nomeadamente o formato documental, registando os factos e construindo a consciência pública. Falou também do papel do Tribunal Internacional na reconciliação histórica, não só em Espanha, mas em qualquer país que tenha passado por um regime ditatorial, dando o exemplo da Argentina nos últimos anos. Por falar ficaram alguns temas como a forma como os interesses económicos se relacionam com o Direito, bloqueando-o ou facilitando-o, os efeitos perversos do imediatismo e da comercialização dos media e o risco da ficcionalização de factos históricos podem substituir o registo histórico destes, ainda assim, uma oportunidade de ouvir falar alguém que tanto tem feito por tantos que foram oprimidos por regimes brutais.

