Estoril Film Festival 2010: O Balanço Final por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

O Festival de cinema do Estoril, este ano na sua quarta edição, esforça-se por ser mais do que uma mostra de cinema, organizando eventos paralelos, exposições, concertos, palestras e homenagens.

No Centro de Congresso do Estoril estiveram 3 exposições: uma de fotografia de Lou Reed, “Romanticism”, onde de podiam ver fotografias de pequeno formato de paisagens, des-saturadas quase ao ponto de formarem planos de cor, lembrando o estilo gótico, mas de uma qualidade que, não fosse o nome do autor, não garantiria a exposição; outra também de fotografia do fotógrafo profissional Alberto Garcia-Alix, grandes formatos a preto e branco sem um tema central, onde o formalismo se une ao estetizar de submundos e ao narcisismo do autor, conseguindo, por vezes, grande momentos que nos prendem; a última dos desenhos de Malkovitch com os modelos da sua colecção “Technobohemian” que foram apresentados num desfile no Museu Condes de Castro Guimarães em Cascais, onde um certo estilo conservador se exprime de uma forma discreta sem nunca atingir a excelência ou o génio.

Foi possível também ouvir falar o juiz Baltasar Garzón, detalhando a sua luta contra a reacção de poucos e a passividade de muitos para poder documentar os desaparecidos durante a Guerra Civil e a ditadura de Franco que se seguiu, referindo que os crimes contra a humanidade não devem ser esquecidos, amnistiados ou prescreverem. Apelou à luta contra a indiferença pela vida ética, pela educação, pelos media, nomeadamente o formato documental, registando os factos e construindo a consciência pública. Falou também do papel do Tribunal Internacional na reconciliação histórica, não só em Espanha, mas em qualquer país que tenha passado por um regime ditatorial, dando o exemplo da Argentina nos últimos anos. Por falar ficaram alguns temas como a forma como os interesses económicos se relacionam com o Direito, bloqueando-o ou facilitando-o, os efeitos perversos do imediatismo e da comercialização dos media e o risco da ficcionalização de factos históricos podem substituir o registo histórico destes, ainda assim, uma oportunidade de ouvir falar alguém que tanto tem feito por tantos que foram oprimidos por regimes brutais.

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