Harry Potter and the Half Blood Prince

(Fotos: Divulgação)
Doze anos depois do lançamento do primeiro livro e oito anos depois de termos visto o primeiro filme, Harry Potter regressa aos cinemas, com o sexto capitulo da saga: Harry Potter and the Half Blood Prince.

O C7nema está ansioso por ver esta película e faz aqui uma breve análise do livro e do que podemos esperar deste novo filme. Fazemos já o aviso dos inevitáveis spoilers e sublinhamos que este é um artigo para os verdadeiros fãs da série…

 

 
 
Com realização de David Yates, que foi convidado para dirigir o 5º, 6º e 7º capítulos da saga, este novo episódio mantém o mesmo elenco, com algumas novas personagens, como é caso de Jim Broadbent, no papel de Horace Slughorn, o novo professor de…não, não é Defesa Contra as Artes das Trevas. Mantemos o mistério, para não revelar logo tudo. Outras personagens novas são Anna Shaffer, como Romilda Vane, e Freddie Stroma, como Cormac McLaggen . A produção ficou, como em todos os outros filmes, a cargo de David Heyman, com a ajuda de David Barron.

O passado

No episódio anterior vimos Harry, ainda assombrado pela morte de Cedric Digory (Robert Pattinson), perder também Sirius Black (Gary Oldman), o seu padrinho e única figura familiar, de forma abrupta.

Como se isto não bastasse, Dumbledore revela a Harry o conteúdo da profecia que ele próprio testemunhou: Harry terá que matar ou morrer às mãos de Voldemort.

O quinto filme deixou-nos com a sensação de que o pobre Harry é injustiçado, punido, desprezado, e tudo porque…não sabemos bem porquê. Os “menos fãs”, que não conhecem a história tão bem, ficam um pouco perdidos e zangados, pela falta de informação sobre a continuidade da história. Os cinéfilos que conhecem a saga apenas no grande ecrã ficam satisfeitinhos, mas os fãs dos livros ficam com a sensação que um camião TIR abalroou a história.

No entanto, Yates proporciona-nos um extraordinário trabalho de realização, com um cast ao melhor nível. Alan Rickman, mais uma vez, mostrou-se a cereja no topo do bolo, com uma consistência de personagem fenomenal ao longo de cinco filmes.

 

 
 
O sexto livro
As 607 páginas desta sexta criação de JK Rowlling são, depois do 4º livro, a maior transição para o mundo adulto desta saga. Se no quarto livro a história deixava de ser para crianças, estas novas páginas são decididamente para adultos.

A primeira impressão que temos é a da noção de globalidade. Não estamos apenas dentro do mundo de feiticeiros: a autora faz aqui a junção do mundo dos muggles (não feiticeiros) com o mundo de Harry. O perigo é global, e afecta toda a gente, com ou sem magia. Há um enquadramento do mundo muggle e na forma como este co-existe com o mundo da magia, inclusivé a nível político. Os primeiros capítulos reforçam, assim, a ideia de um universo adulto, com regras, normas e jogos de poder.

Dumbledore vai buscar Harry a casa dos seus tios para o início do ano escolar e diz a Harry que este herdou o nº 12 Grimauld Place – a antiga base da Ordem da Fénix – com a morte do seu padrinho. Dumbledore, estranhamente com uma mão completamente inutilizada, mas sem dar explicações sobre tal, pede então a Harry ajuda numa pequena missão muito particular, antes de o levar para casa dos Wesleys, com quem ele irá ficar durante uns dias, antes da partida para Hogwarts.

Harry entra neste novo ano escolar a perder (e mais não dizemos). No entanto, o nosso pequeno herói (não tão pequeno assim, de acordo com algumas fontes que o viram na peça Equus no West End Londrino) está habituado à injustiça e à dor, e faz aquilo que melhor sabe fazer: continuar.
Vemos assim um Harry ainda de luto emocional e com um novo dilema, que vai desiludir os fãs do possível relacionamento Harry-Hermione. Este novo dilema traz algumas peripécias e muita maturidade à série.

O nosso trio habitual vai sofrer com as paixões da adolescência: Ron, com quem já contamos para providenciar os momentos comédia slapstick desta série, não desilude. Hermione continua a mostrar-se a mais madura do trio, e uma ajuda preciosa em momentos cruciais. Temos também uma personagem que irá ter bastante proeminência durante todo o livro: Ginny Wesley, a irmã mais nova dos Wesleys.

 

 
Draco Malfoy torna-se um catalista de acontecimentos neste livro, e nós cada vez mais gostamos menos dele. Mas, mais relevante que todos estes pormenores, é o facto de, neste 6º episódio ser revelada uma história pela qual ansiávamos: o passado de Voldemort. Vamos ficar a saber a sua origem familiar, a história da sua infância and then some more…

O mistério que JK não quis revelar ainda é mesmo aquele que mais ansiedade tem provocado aos mais atentos, desde que as primeiras letras desta saga foram escritas: Severus Snape. Não só nenhumas explicações são dadas, como a autora adensa mais (muito mais) o mistério. Ficamos completamente incrédulos com o fim deste capítulo. E não, não vamos falar sobre aquilo-que-nós- sabemos, e que tanta tinta fez correr quando o livro foi lançado, sobre o final deste episódio.

O título deste livro é reflexo do enredo: um livro com a assinatura do “Half Blood Prince” ( e não é por sermos snobs que não estamos a traduzir…é que a tradução perde o duplo sentido que este nome contém) vai parar às mão de Harry. Este vai tentar descobrir quem será o antigo dono com um nome tão peculiar.

Em suma, o tema central deste Harry Potter and The Half Blood Prince é a preparação de Harry para lutar contra Voldemort. Dumbledore vai fazer os possíveis (e impossíveis, para alguns) para delegar a Harry todo o conhecimento necessário à inevitável luta que se avizinha.

O que podemos esperar

Tendo lido todos os livros (confesso, quase todos mais do que uma vez) e tendo visto todos os filmes até agora, o C7nema crê que Yates não vai desiludir. Poderemos, certamente, contar com humor e também com muitas paixões adolescentes. Os trailers disponíveis no site da WarnerBrothers podem ser descritos apenas com uma palavra: soberbos.

Hero Fiennes-Tiffin, escolhido para representar Voldemort enquanto criança, tem uma presença verdadeiramente arrepiante nos poucos segundos que o vemos no trailer. Snape certamente estará brilhante, tal como o antevemos, e cheio de mistérios. É também de esperar um amadurecimento profissional do trio, especialmente de Daniel Radcliff, que tem desenvolvido diversos trabalhos além das fronteiras desta saga, e de Rupert Grint, que participou recentemente em Cherry Bomb e Wild Target.

Os efeitos especiais esperam-se muito bons. Pelo que os trailers deixam antever, nomeadamente a destruição da Millenium Bridge, iremos ficar certamente colados às cadeiras.

 
 

 
 
 Em relação ao argumento, muito dificilmente Yates conseguiria agradar aos verdadeiros fãs dos livros: o enredo torna-se cada vez mais denso e, consequentemente, mais difícil será de ter um guião verdadeiramente fiel ao original. No entanto, e depois de vencermos a pequena luta interna que nos diz que com os filmes se perde muito dos livros, o nosso conselho é: sentem-se e apreciem o que será certamente um óptimo filme e duas horas muito bem passadas.
 
 
Laura Moreira

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