O C7nema está ansioso por ver esta película e faz aqui uma breve análise do livro e do que podemos esperar deste novo filme. Fazemos já o aviso dos inevitáveis spoilers e sublinhamos que este é um artigo para os verdadeiros fãs da série…

O passado
Como se isto não bastasse, Dumbledore revela a Harry o conteúdo da profecia que ele próprio testemunhou: Harry terá que matar ou morrer às mãos de Voldemort.
O quinto filme deixou-nos com a sensação de que o pobre Harry é injustiçado, punido, desprezado, e tudo porque…não sabemos bem porquê. Os “menos fãs”, que não conhecem a história tão bem, ficam um pouco perdidos e zangados, pela falta de informação sobre a continuidade da história. Os cinéfilos que conhecem a saga apenas no grande ecrã ficam satisfeitinhos, mas os fãs dos livros ficam com a sensação que um camião TIR abalroou a história.
No entanto, Yates proporciona-nos um extraordinário trabalho de realização, com um cast ao melhor nível. Alan Rickman, mais uma vez, mostrou-se a cereja no topo do bolo, com uma consistência de personagem fenomenal ao longo de cinco filmes.

A primeira impressão que temos é a da noção de globalidade. Não estamos apenas dentro do mundo de feiticeiros: a autora faz aqui a junção do mundo dos muggles (não feiticeiros) com o mundo de Harry. O perigo é global, e afecta toda a gente, com ou sem magia. Há um enquadramento do mundo muggle e na forma como este co-existe com o mundo da magia, inclusivé a nível político. Os primeiros capítulos reforçam, assim, a ideia de um universo adulto, com regras, normas e jogos de poder.
Dumbledore vai buscar Harry a casa dos seus tios para o início do ano escolar e diz a Harry que este herdou o nº 12 Grimauld Place – a antiga base da Ordem da Fénix – com a morte do seu padrinho. Dumbledore, estranhamente com uma mão completamente inutilizada, mas sem dar explicações sobre tal, pede então a Harry ajuda numa pequena missão muito particular, antes de o levar para casa dos Wesleys, com quem ele irá ficar durante uns dias, antes da partida para Hogwarts.
Harry entra neste novo ano escolar a perder (e mais não dizemos). No entanto, o nosso pequeno herói (não tão pequeno assim, de acordo com algumas fontes que o viram na peça Equus no West End Londrino) está habituado à injustiça e à dor, e faz aquilo que melhor sabe fazer: continuar.
Vemos assim um Harry ainda de luto emocional e com um novo dilema, que vai desiludir os fãs do possível relacionamento Harry-Hermione. Este novo dilema traz algumas peripécias e muita maturidade à série.
O nosso trio habitual vai sofrer com as paixões da adolescência: Ron, com quem já contamos para providenciar os momentos comédia slapstick desta série, não desilude. Hermione continua a mostrar-se a mais madura do trio, e uma ajuda preciosa em momentos cruciais. Temos também uma personagem que irá ter bastante proeminência durante todo o livro: Ginny Wesley, a irmã mais nova dos Wesleys.

O mistério que JK não quis revelar ainda é mesmo aquele que mais ansiedade tem provocado aos mais atentos, desde que as primeiras letras desta saga foram escritas: Severus Snape. Não só nenhumas explicações são dadas, como a autora adensa mais (muito mais) o mistério. Ficamos completamente incrédulos com o fim deste capítulo. E não, não vamos falar sobre aquilo-que-nós- sabemos, e que tanta tinta fez correr quando o livro foi lançado, sobre o final deste episódio.
O título deste livro é reflexo do enredo: um livro com a assinatura do “Half Blood Prince” ( e não é por sermos snobs que não estamos a traduzir…é que a tradução perde o duplo sentido que este nome contém) vai parar às mão de Harry. Este vai tentar descobrir quem será o antigo dono com um nome tão peculiar.
Em suma, o tema central deste Harry Potter and The Half Blood Prince é a preparação de Harry para lutar contra Voldemort. Dumbledore vai fazer os possíveis (e impossíveis, para alguns) para delegar a Harry todo o conhecimento necessário à inevitável luta que se avizinha.
O que podemos esperar
Hero Fiennes-Tiffin, escolhido para representar Voldemort enquanto criança, tem uma presença verdadeiramente arrepiante nos poucos segundos que o vemos no trailer. Snape certamente estará brilhante, tal como o antevemos, e cheio de mistérios. É também de esperar um amadurecimento profissional do trio, especialmente de Daniel Radcliff, que tem desenvolvido diversos trabalhos além das fronteiras desta saga, e de Rupert Grint, que participou recentemente em Cherry Bomb e Wild Target.
Os efeitos especiais esperam-se muito bons. Pelo que os trailers deixam antever, nomeadamente a destruição da Millenium Bridge, iremos ficar certamente colados às cadeiras.


