Filme cheio de reviravoltas, com as intrigas policiais e políticas que envolvem figuras da elite nova-iorquina a cruzarem-se com a acidentada trajetória do ex-policia e detetive particular Billy Taggart (Mark Wahlberg). Ele tem o típico aspeto decadente da mitologia do cinema noir, estilo que começou a dar nas vistas nos anos 40 e que nunca perdeu o encanto em Hollywood.
Taggart tenta safar-se como pode: após um grave problema na polícia, acaba por ter de deixá-la, ganhando sofrivelmente a vida como detetive particular – daqueles que corre mais atrás dos clientes que não pagam do que de casos para trabalhar. Paralelamente, assiste a namorada Natalie Martinez (Natalie Barrows) a tornar-se atriz e a entrar num meio no qual ele é um peixe fora d´água. Ajuda mesmo, só da fiel assistente Katy Bradshaw (Alona Tal).
A sua sorte parece melhorar quando ele é chamado pelo presidente da Câmara de Nova Iorque Nicholas Hostetler (Russell Crowe) para investigar o suposto adultério praticado pela sua esposa Cathleen (Catherine Zeta-Jones), terminando por se envolver num complexo jogo de poder onde nada é o que parece. Para complicar tudo, as eleições municipais estão na sua reta final, com o atual presidente a enfrentar uma forte concorrência do candidato da oposição, Jack Valliant (Barry Pepper).
Moca no Central Park
Um encontro mais que insólito: Mark Wahlberg relatou ao site We Got This Covered que conheceu o realizador de “Cidade Dividida”, Allen Hughes, numa estranha exibição do seu primeiro filme, “Menace II Society“, no Central Park de Nova Iorque, onde toda a gente assistia ao filme… a fumar marijuana! “Não é sempre que se tem uma ‘premiere’ assim.
O ator estava no início de carreira e ainda se cruzaria com Hughes umas tantas vezes até que este foi sido convidado pelos produtores da Emmett/Furla Films para assumir o comando de “Cidade Dividida”. Entusiasmado com o projeto, o realizador procurou-o para dizer que o considerava perfeito para o papel de protagonista.
Apesar da obra vir de um argumento que vegetava na famosa “black list” de Hollywood (para onde vão os melhores “scripts” não produzidos), todos os atores convidados para entrar disseram “sim” à primeira e Wahlberg, inclusive, co-produziu o filme. Russell Crowe, por sua vez, observou que, “enquanto toda a gente ia preferir o papel de Billy, desde o princípio quis fazer o do presidente da Câmara”.
Mark Wahlberg
Tudo indica que, ao ter uma performance de bilheteira semelhante a que teve no seu país, “Cidade Dividida” irá no máximo empatar os custos. O filme também recebeu muitas críticas negativas, principalmente direcionadas ao argumento. Este será o pior resultado de Wahlberg desde “Os Psico-Detetives”, filme de David O. Russell de 2004. O ator tem duas sequelas pela frente – as de “Ted” e “Transformers”. Seu próximo projeto a estrear é “Pain and Gain”, filme de Michael Bay onde contracena com Dwayne Johnson – a ser lançado em abril nos Estados Unidos. Em agosto estreia “2 Guns”, com Denzel Washington e Paula Patton.
Elenco secundário
“Cidade Dividida” tem um interessante elenco de apoio.
Russell Crowe: o presidente da Câmara de Nova Iorque, cujas ações são centrais na história. Ele vem das cantorias do bem-sucedido “Os Miseráveis” e das artes marciais do mal recebido “The Man whit The Iron Fists”. Crowe é um dos protagonistas de “Homem de Aço”, o novo filme do Super-Homem que estreia por cá em junho.
Catherine Zeta-Jones: a ambígua mulher de Hostetler, Cathleen. A atriz tem tido azar em termos de bilheteira no seu retorno depois de três anos sem filmar. Todos os filmes onde entrou falharam – incluindo a hecatombe singular de “Lay The Favorite”, um filme de Stephen Frears recheado de estrelas. Houve também “A Idade do Rock” (2012) e “Fintar o Amor” (estreia em Portugal em março), ambos igualmente mal sucedidos. Resta saber o que a sorte lhe reserva em “Efeitos Secundários”, o novo trabalho de Steven Soderbergh – com lançamento em Portugal também no próximo mês. Jones entra ainda em “Reds 2”, a ser lançado este ano.
Jeffrey Wright: faz o inspetor inimigo de Hostetler. A sua sólida carreira inclui filmes de James Bond (os dois primeiros com Daniel Craig), os dois filmes realizados por George Clooney, “W.” de Oliver Stone e “Cadillac Records”, onde interpretava o bluesmen Muddy Waters.
Barry Pepper: é Jack Valliant, o principal adversário político de Hostetler. O ator já trabalhou com Steven Spielberg (“O Resgate do Soldado Ryan”), os irmãos Coen (“O Indomável”) e Clint Eastwood (“As Bandeiras dos Nossos Pais”). Venceu um Globo de Ouro pela série televisiva “61”. Em março estará novamente em cartaz em Portugal com “Snitch – Infiltrado”, o novo trabalho de Dwayne Johnson.
Kyle Chandler: o principal assessor de Valliant, com importância crucial no curso dos acontecimentos. Ele é um dos protagonistas de “Super 8”, para além de ser conhecido como o Dylan Young de “Anatomia de Grey”. Teve participações nos recentes “00:30 Hora Negra” e “Argo”, para além de fazer parte de “The Spetacular Now” e o próximo filme de Martin Scorsese, “The Wolf of Wall Street”.
Natalie Martinez: a namorada de Taggart. No filme ela é uma atriz que consegue o seu primeiro trabalho como protagonista numa produção independente. Ela faz parte de “CSI Nova Iorque” e seu trabalho mais conhecido no cinema foi “Fim de Turno”, estreado em Portugal no ano passado.
Alison Tal: Katy Bradshaw. Na maior parte do tempo, a única grande aliada de Taggart. Ela é israelita e nos seu país natal tem uma carreira de sucesso na música e na televisão. Nos Estados Unidos entrou em diversos episódios de séries televisivas, com destaque para sete na série “Sobrenatural”.
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Realização: Allen Hughes
Elenco: Mark Wahlberg, Russell Crowe, Catherine Zeta-Jones, Jeffrey Wright, Berry Peppe, Kyle Chandler, Natalie Martinez, Alison Tal. EUA, 2013.
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