Força Anti-Crime: a bela música dos lobos

(Fotos: Divulgação)

O filme não perde tempo a apresentar as violentas credenciais de Mickey Cohen (Sean Penn), ex-pugilista que subiu na hierarquia do crime até controlar o submundo de Los Angeles nos anos 40. Tomamos contato com ele a ouvir o “cântico” dos lobos e a suspirar: “ah, criaturas da noite, que bela música elas fazem!”. Isso antes de estraçalhar um infeliz da máfia de Chicago que atravessou-se no seu caminho e deixar os seus restos para uma “adorável” matilha… 

Já as boas intenções do sargento John O’Mara (Josh Brolin) ficamos a conhecer através da sua narrativa em off, onde demonstra toda a sua perplexidade ao voltar da 2ª Guerra Mundial para uma cidade que “já não conseguia reconhecer”. Por todo lado, “bordéis, vícios e sangue”, lamenta ele. Para piorar, um pouco ao estilo de “LA Confidencial” (não falta o agente amoral e indiferente vivido por Kevin Spacey a ser recuperado por Ryan Gosling), toda a polícia é corrupta. 

Excetuando, obviamente, O’Mara – que a pedido do chefe Bill Parker (Nick Nolte) vai montar a sua própria versão de “Os Intocáveis” para combater Cohen: há um especialista em comunicações (Giovani Ribisi), outro em tiros à moda do velho oeste (Robert Patrick), o seu ajudante (Michael Peña) e um detetive negro especialista em facas (Anthony Mackie). E, obviamente, o galã Jerry Wooters (Gosling), o último a entrar para o grupo e que resolve complicar um pouco as coisas metendo-se justamente com a mulher de Cohen (Emma Stone).  

Nada de tiros no cinema 

 

Programado para ser lançado em setembro do ano passado, quando até já tinha os trailers em circulação, teve que ser adiado em função do tiroteio em Aurora, quando um mascarado invadiu uma sessão do “Cavaleiro das Trevas” e executou diversas pessoas. Ocorre que o filme tinha mesmo um tiroteio dentro de um cinema, sequência completamente eliminada e substituída por novas filmagens. Em função da sua terrível falta de timing, “Força Anti-Crime” foi, mais do que merecia, incluído num rol de “filmes violentos”. Não é que a violência não esteja presente, mas não mais do que em dezenas de outros filmes.

David Bowie e Tarantino não! 

O realizador Ruben Fleischer destacou numa entrevista a Collider a sua paixão pelo género e a enorme vontade de fazer o seu filme de máfia. Segundo ele, todas as décadas tiveram a sua obra de gângsters, citando “Chinatown” e “O Padrinho” nos 70, “Os Intocáveis” nos 80, “Tudo Bons Rapazes” e “LA Confidencial” nos 90 – existindo uma lacuna no século XXI. Ao mesmo tempo, apressa-se em não se pôr a par de tal concorrência, explicando: “Eu não penso que estejamos ao nível destes filmes, eu apenas queria fazer algo do género”. 

Aparentemente, uma das razões para ser escolhido para o cargo de realizador foi que os produtores queriam alguma modernidade na abordagem de uma história de época. Fleischer acredita que se trata apenas de uma questão de sensibilidade, mas nada de invenções que descaracterizem o tempo retratado: “Nós não somos como Tarantino, que põe uma música do David Bowie na era dos nazis!”, disse.  

Meio gás 

 

O filme era encarado como a oportunidade do cineasta entrar para o grupo dos realizadores “a sério” depois de obras cómicas como “Bem-vindos à Zombieland” e “Entrega Armadilhada”. Mas os críticos em geral têm recusado a colocar esta obra no panteão dos grandes filmes de máfia – reclamando da história e da superficialidade dos personagens. A bilheteira também foi mediana com o filme, não sendo nem um flop nem um sucesso.

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 Realização: Ruben Fleischer
Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Ryan Gosling, Emma Stone, Nick Nolte, Giovani Ribisi, Michael Peña, Robert Patrick, Anthony Mackie, Mireille Enos. EUA, 2013.

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