A nova “aparição” do vilão Leatherface e a sua inseparável moto-serra tem como ponto de partida a história do filme original de Tobe Hooper, “Massacre no Texas”, de 1974. Depois do terrível destino de um grupo de jovens, dos quais apenas uma mulher sobreviveu, a casa da família de Leatherface é queimada e todos os membros da sua família são dados como mortos. Décadas depois, uma jovem (Alexandra Daddario) descobre ser neta da sobrevivente, que no entanto faleceu e lhe deixou uma herança. Ela volta ao local com um grupo de amigos, incluindo o namorado (Trey Songz) e o resto não é difícil imaginar…
O projeto é da Twisted Pictures, produtora por trás do franchise “Saw”. Eles compraram os direitos de Tobe Hooper, que depois de vários anúncios sem concretização efetiva ao longo da última década parece ter desistido de vez da série. “Texas Chainsaw: O Massacre (3D)” foi realizado por John Luessenhop (“Assalto Arriscado”) e protagonizado por Alexandra Daddario, vinda de uma proposta bem mais inocente (“Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo”). A participação do rapper Trey Songz também ajudou bastante na divulgação de uma obra que, com um custo bastante superior ao de outras “epopeias” do género (U$ 20 milhões), faturou quase U$ 40 milhões nos Estados Unidos. Já os críticos “dizimaram” o filme impiedosamente.
Más bilheteiras e sucessivas ressurreições
Já dizia David O. Selznick que só é possível ganhar dinheiro com dois tipos de filmes: os mais caros e os mais baratos. Essa máxima, proferida nos tempos da era dos estúdios de Hollywood, não está de todo esvaziada de sentido, quando os blockbusters atingem somas incríveis na produção e, por outro lado, filmes de terror baratíssimos alcançam lucros formidáveis.
O já clássico filme de Tobe Hooper que inaugurou o franchise em 1974 e inventou os “slasher films”* enquadra-se perfeitamente nesta definição: teve o incipiente custo de U$ 300 mil e rendeu U$ 30 milhões, tornando-se num dos filmes mais lucrativos de género em todos os tempos (v. “A Invasão dos Psicopatas” – parte 1“).
Mas, a partir daí, a equação já não foi tão simples e, olhando em retrospetiva, é surpreendente verificar a insistência dos produtores em ressuscitar um franchise que só ganha de “Chucky – O Boneco Diabólico” em termos de bilheteiras globais da série. A coisa não correu muito bem logo com a sua sequela – feita pelo próprio Hooper, 12 anos depois do original. Independente do culto de seguidores que originou, esta nova versão, que está mais inserida na comédia negra dos anos 80 do que na tentativa de fazer terror a sério, mal deu para pagar as contas.
Destino semelhante teve, quatro anos depois, “O Assassino da Moto-Serra”, que na altura ficou célebre pelas grandes batalhas entre a New Line Cinema (produtora de topo na época) e a censura – para além das suas cenas de esquartejamentos e demais ingredientes lhe garantirem uma proibição integral na Inglaterra. Quem andava perdido por lá era Viggo Mortensen, 11 anos antes de tornar-se célebre como o Aragorn de “O Senhor dos Anéis”. Como curiosidade adicional, lembra-se que o realizador Jeff Burr recebeu uma nomeação para um prémio na edição do Fantasporto deste ano.
O pior ficou para “Massacre no Texas: O Regresso”, de 1994. Apesar de escrito e realizado pela partner de Hooper do filme original, Kim Henkel, a obra enfrentou inúmeros problemas de lançamento e acabou encalhado sem distribuição comercial ou marketing adequados. Para os críticos e para os seguidores que o viram, ficou com a alcunha de “pior filme” do franchise até aqui. Nada o fazia supor: os protagonistas eram os desconhecidos na época Rennée Zellwegger e Matthew McConaughey. Longe de ajudar, atrapalhou: quando se tentou relançar o filme três anos depois para aproveitar o fato deles agora serem conhecidos, o agente de McConaughey conseguiu convencer a Columbia a não lançar a obra.
O sucesso dos maus filmes de Michael Bay
Sucesso mesmo só sob a tutela de Michael Bay, mestre em alcançar bom público com maus filmes. A produtora Plantinum Dunes, que criou em 2001 e que especializou-se em remakes/reboots/spin offs etc. etc. de filmes de terror, teve como primeiro lançamento, em 2003, “Massacre no Texas”. Hooper e Henkel seriam co-produtores deste e da sua sequela. Sob o rótulo crítico de “muito gore” para pouco suspense, o filme, que tinha Jessica Biel no papel principal, foi um enorme êxito de bilheteira.
Com “Massacre no Texas – O Início”, de 2006, o sucesso foi bem menor, mas ainda assim sólido. O projeto ficou a cargo de outro especialista em filmes ruins, Jonathan Liebesman (“Terror na Escuridão” e “Invasão Mundial: Batalha Los Angeles”). As críticas seguiram o mesmo rumo do antecessor: muito sangue para uma história sem grande fundamento.
{xtypo_rounded2}http://www.youtube.com/watch?v=vE52qbC7NRI
Realização: John Luessenhop
Elenco: Alexandra Daddario, Dan Yeager, Tremaine Neverson, Tania Raymonde, Thom Barry, Paul Rae, Bill Moseley. EUA, 2013. {/xtypo_rounded2}
*É susceptível de debate se «Massacre no Texas» é o 1º slasher. O crédito costuma ser ou do Psycho (Pelo uso do psycho killer) ou, na realidade, para «Halloween» (1978», de John Carpenter. Isto porque o slasher está tradicionalmente associado ao conceito comum ao filme do Carpenter e ausente no filme do Hopper: assassino que se levanta uma última vez, POV (ponto de vista) do assassino, sustos falsos qb, etc

