Se as fábulas clássicas originais nunca foram propriamente inocentes (pelo menos não na medida em que foram popularizadas pela Disney ou pelos livros infantis), o que se encontra por aqui é algo que enterra definitivamente qualquer sombra de ingenuidade. “Hansel & Gretel – Caçadores de Bruxas” une a ideia dos produtores em fazer algo acelerado e sangrento para as novas gerações com a concepção artística vinda de um realizador saído do universo do terror de zombies. O resultado é que a história dos simpáticos irmãos enganados por uma bruxa transforma-se numa violenta cruzada vingativa que varre literalmente tudo o que se atravessa pelo seu caminho. As feiticeiras também não se ficam: metralhadoras giratórias entram em cena quando as magias não resultam.
O filme segue a vida de Hansel (Jeremy Renner) e Gretel (Gemma Aterton), 15 anos depois de sua primeira experiência com bruxas. O incidente fez com que Hensel arranjasse uma diabetes por excesso de doces (nada das cáries inocentes de outras versões), e nos dias que correm os irmãos dedicam seu tempo a exterminar estes espécimes. São então chamados pelo governador de Augsburgo para ajudar a combater uma bruxa que ameaça sacrificar as crianças da cidade, ao mesmo tempo que tem que lidar um comandante local (Peter Stormare) que promove à sua própria maneira uma caça indiscriminada às pobres amantes de poções esdrúxulas.
Primeira produção norte-americana do cineasta norueguês Tommy Wirkola, que deu nas vistas em 2009 com uma comédia de terror com zombies nazis, “Dead Snow”. Segundo disse ao site Shocktillyoudrop, os ingredientes desta sua versão para o conto são sangue, gore e ação, “todas as coisas que eu adoro”. Já em termos de elenco, destaque para participações de Peter Stormare – para além daquela que tem sido a mais poupada da saraivada de críticas ao filme – Famke Janssen (a mulher de Liam Neeson no franchise “Taken”). A dupla Zoe Bell, “homenageada” por Tarantino em “À Prova de Morte”, também marca presença.
O sonho de Jeremy Renner e o pesadelo dos críticos
Lançado há poucos dias, parece que será mais um projeto de Renner a cumprir a protocolo (como “O Legado Bourne”), mas sem demonstrar capacidade para mais (um franchise, leia-se). Isto em termos de bilheteira. Já os críticos destroçaram impiedosamente o filme, demonstrando uma alargada divergência com a visão do próprio ator. Segundo disse no seu site, quando leu o argumento do filme não percebeu como algo tão bom “ainda não havia sido filmado”.
Já na metralhadora giratória dos críticos norte-americanos não faltaram impropérios. “A boa notícia é que os atores aparentam estar a divertir-se; a má é que nós não” (Vulture); “O filme é grande e ridículo” (Antagony & Ecstasy); “Outro filme chato de janeiro para estar já esquecido em março” (Schmoes Know). Por fim, Cole Smithey disse que a obra poderia ser um típico exemplar para aqueles que apontam a violência gratuita dos filmes de Hollywood como má influência para os jovens.
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Realização: Tommy Wirkola
Elenco: Jeremy Renner, Gemma Aterton, Famke Janssen, Peter Stormare, Thomas Mann e Zoe Bell. EUA, 2013. {/xtypo_rounded2}

