O piloto Whip Whitaker (Denzel Washington) não está nas suas melhores condições físicas, do ponto de vista “químico”, quando faz uma incrível manobra para evitar um terrível acidente aéreo. A partir daí, o seu ato de heroísmo passa a circular entre dilemas morais e responsabilização. Ao mesmo tempo a sua trajetória cruza-se com a da junkie Nicole (Kelly Reilly), cujo último episódio de overdose a empurra para um processo de recuperação.
Com uma mistura de ação com drama existencial que resulta bem na primeira metade do filme, o experiente realizadorRobert Zemeckis vai aos poucos minando a imagem do herói de “Decisão de Risco”. A espetacularidade do acidente inicial cede lugar aos conflitos intimistas de Whip, que terá de lidar com questões como culpa e redenção.
Dilemas morais
Mais do que uma simples “decisão de risco”, a obra gira em torno da questão moral entre a responsabilidade pelo bem coletivo e drama existencial – simbolizado pelo consumo cada vez mais frequente de álcool pelo seu protagonista. Para Washington, não há dúvida para a culpabilização da sua personagem – e para ele nem é relevante o facto de que pilotos sóbrios nunca conseguiram reproduzir a manobra e o facto da verdadeira razão do acidente ter sido uma falha de manutenção. Numa entrevista ao Collider, declarou ele (Whitaker) devia “…ser condenado à prisão perpétua.”
Simples e eficiente
Vindo de filmes como “Um Conto de Natal” (2009), “Beowulf” (2007) e “The Polar Express”, que no melhor dos casos conseguiram “empatar” na bilheteira os seus custos altíssimos, Robert Zemeckis apostou aqui em algo mais simples e, até o momento, muito mais compensador: com um custo de U$ 31 milhões, rendeu U$ 92 milhões no seu país natal – faltando ainda ser lançado em diversos mercados importantes a nível global. Um resultado importante também porque, em 2011, a sua produtora esteve envolvido numa das maiores hecatombes de bilheteira de todos os tempos, “Mães Precisam-se… em Marte”, 5º colocado na lista dos maiores flops de sempre.
Denzel Washington passou pelos ecrãs portugueses em 2012 com “Detenção de Risco“ e este ano entra em “2 Guns”, ao lado de Mark Wahlberg e Paula Patton. A atriz inglesa Kelly Reilly, que teve participações nos “Sherlock Holmes” de Guy Ritchie, foi a protagonista do filme de terror “O Lago Perfeito” (2008). Neste momento filma “Casse-tête chinois”, onde volta a trabalhar com Cédric Klapisch, com quem havia feito “A Residência Espanhola” e «As Bonecas Russas».
No elenco secundário, há a aparição pitoresca de John Goodman, que está a especializar-se em papéis fora do padrão (“Argo” e “Red State”, por exemplo) – aqui como espécie muito particular de narcotraficante. Destaque ainda para participação de Don Cheadle como um advogado extremamente competente que fica “maluco” com as inconstâncias do seu cliente.
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Realização: Robert Zemeckis
Elenco: Denzel Washington, Kelly Reilly, John Goodman, Don Cheadle, Bruce Greenwood, Melissa Leo. EUA, 2012. {/xtypo_rounded2}

