O Hobbit – Uma Viagem Inesperada: De volta à Terra Média

(Fotos: Divulgação)

Afinal, que história ainda havia por contar baseada nas personagens de J.R.R. Tolkien, depois de uma trilogia com nove horas de duração? O livro infantil “Hobbit”, que Tolkien escreveu oito anos antes do “Senhor dos Anéis”, por ora serve de matéria-prima para o início de mais uma trilogia – a ser seguida de “Hobbit – The Desolation of Smaug” e “Hobbit – There and Back Again”. 

Que não houvesse nenhuma história era o desejo do velho Hobbit Bilbo (Martin Freeman), que vivia sossegadamente no seu retiro caseiro num vale pacífico até ser arrancado de lá pelo feiticeiro Gandalf e uma trupe de anões comilões. Isto é o que conta enquanto escreve as suas memórias, relembrando acontecimentos ocorridos 60 anos antes das confusões envolvendo o anel…

Tudo começou com o ataque do terrível dragão Smaug, que desalojou das suas terras os anões, originando um desejo de vingança que percorreu décadas – até o herdeiro Thorin (Richard Armitrage) achar que já era mais que tempo de a retomar. Por alguma razão, um auxiliar da missão, Gandalf, acha que um Hobbit medroso, pacato e relutante, lhes seria útil na empreitada.

Uma vez na estrada, os perigos sucedem-se uns atrás aos outros, com uma vasta galeria de monstros, perseguições e paisagens sombrias. Calmaria, só no reino dos elfos, onde Gandalf participa de uma “reunião de cúpula” com velhos conhecidos: Galadriel (Cate Blanchet), Saruman (Christopher Lee) e Elrond (Hugo Weaving). E por falar em reencontros, quem ressurge para um sinistro jogo de adivinhas com o aterrado Bilbo é Gollum, sempre às voltas com sua “precious”.


Freeman,  Mckellen, Serkis, Armitrage

Para Peter Jackson, o papel de Bilbo tinha que ser de Martin Freeman pois o ator tem as caraterísticas certas para encarnar o tipo de personagem pretendida. “Bilbo é uma pessoa normal, que reage da forma como qualquer um de nós o faria. Ele não pega na sua espada e sai a lutar: ele entra em pânico. E isso que é genial em Freeman, ele não finge, é sempre autêntico. Sempre vi os Hobbits como ingleses, com suas chávenas de chá e pés aquecidos junto ao fogo. Não conheço ninguém mais próximo de Freeman para fazer essa personagem”.
 
 

Tanto o realizador acredita nisto, que o cronograma de produção foi adaptado para que o ator pudesse abandonar temporariamente a Nova Zelândia, onde decorriam as filmagens, para fazer sua participação na série televisiva “Sherlock”, onde faz de Watson.

Já o problema de Ian McKellen era outro: o temor de estar a repetir-se ao encarnar mais uma vez a mesma personagem. Mas o ator logo percebeu que não gostaria de ver mais ninguém a fazer de Gandalf. Ainda para mais, sempre recebeu dos fãs pedidos para que nunca deixasse de interpretar o mago.

Já no caso de Andy Serkis, o ator responsável pelos movimentos e a inesquecível voz de Gollum, o maior desafio foi reaproximar-se da personagem após um hiato de nove anos e depois dela ter sofrido dezenas de imitações e paródias – inclusive dele próprio. Ao mesmo tempo, Serkis acalentou sempre o sonho de ser realizador e, repentinamente, foi convidado por Jackson para ser o diretor de segunda unidade de “Hobbit”, cargo que efetivamente assumiu.

Richard Armitrage, ator de séries de TV inglesas, convenceu Peter Jackson num processo de casting. 


O Livro

Como se extrairá uma trilogia de apenas um livro? Essa é uma pergunta que muitos fãs fazem, ao que o argumentista Fran Walsh responde: existe um volume incrível de notas soltas que Tolkien tinha anexado ao livro e que permitem continuar a trabalhar com as personagens num elevado nível de fidelidade.


A Partida De Guillermo Del Toro

“Foi uma das decisões mais difíceis da minha vida”. Assim o realizador Guillermo Del Toro referiu-se ao seu abandono do projeto, em 2010. O cineasta mexicano já estava há dois anos envolvido na produção, mas o atraso do início das filmagens causado pela falência da MGM tornou impossível que se mantivesse devido a conflitos de agenda. 

A comentar o facto, Peter Jackson, que acabou por assumir a realização quando a ideia era ser apenas produtor, disse que foi triste que isso tenha acontecido. Ocorre que Del Toro nunca teve real intenção de ficar seis anos na Nova Zelândia dedicando-se exclusivamente a este projeto e o seu compromisso inicial eram com três – tempo que ficou gravemente prejudicado com os atrasos nas filmagens.  O mexicano havia participado ativamente na construção do projeto, sendo um dos co-argumentistas.


Produção

As filmagens iniciaram com dois anos de atraso no estúdio da capital neo-zeolandesa, Wellington, país cujas paisagens continuam a servir de locação da mesma forma que o fizeram para a trilogia anterior. Os dois primeiros filmes da trilogia foram rodados em simultâneo. Já a tecnologia 3D 48 frames tem o objetivo, segundo Jackson, de fornecer um visual ainda mais realista aos fãs. 
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Realização: Peter Jackson
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitrage, Andy Serkis. EUA, 2012. {/xtypo_rounded2}

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