Cloud Atlas: A ficção cientifica existencial dos irmãos Wachowski (mais Tom Tykwer)

(Fotos: Divulgação)

Mistério, ação, drama e romance numa história que fala de conspirações, mundos totalitários, efeito-borboleta, espiritualidade, luta pela liberdade e outros temas. Talvez miscelânea e grandiosidade sejam as palavras que melhor caraterizam o projeto como um todo. 
 
O ponto de partida foi o best-seller homónimo de David Mitchell, lançado em 2004 e considerado uma obra-prima da literatura recente. “Atlas das Nuvens”, relançado em Portugal por ocasião do filme, desenvolve seis narrativas, onde as cinco primeiras são interrompidas num momento-chave para serem retomadas no último capítulo. As histórias ocupam diferentes momentos no tempo e no espaço. 

Há um advogado norte-americano que, no século XIX, viaja no Pacífico para obter escravos; uma jornalista que nos anos 70, nos Estados Unidos, luta para evitar uma catástrofe industrial; um compositor miserável, oprimido pelo seu mestre na Inglaterra dos anos 30, que tenta sobreviver enquanto escreve febrilmente a sua única peça (chamada “Cloud Atlas”); uma jovem empregada de mesa na Seul de 2144 que é despertada para a luta revolucionária contra o totalitarismo; uma civilização primitiva (na verdade pós-apocalíptica) que se relaciona com seus deuses, algozes e habitantes de outras “dimensões”; e um editor literário trancafiado num lar e que, junto a outros velhotes e num registo mais anedótico, também serão símbolos de luta contra a opressão. 

A paixão pelo livro foi o primeiro traço que reuniu os irmãos Wachowski ao cineasta alemão Tom Tykwer no sentido de unirem esforços para efetivar a adaptação de uma obra que para muitos era considerada “inadaptável”.
 
 

Segundo Lana Wachowski, um dos aspectos do romance que os apaixonou foi o facto dele proceder uma abordagem do género humano que transcende limites de fronteiras, raças, tempo e espaço, alcançando um retrato da condição humana como um todo. Nesta complexa narrativa, uma das noções da obra de Mitchell que se pretendeu eliminar foi o facto de serem seis histórias diversas, concebendo-a como uma única história em que as personagens estivessem de alguma forma conectadas com outras mesmo que num tempo e num espaço diferentes. O próprio Mitchell reforça essa noção de universalidade, afirmando que num plano onde a vida após a morte é possível, passado, presente e futuro co-existem e a morte é apenas uma porta que se fecha enquanto outra se abre.

É Lana quem sintetiza a ideia dos Wachowski num plano mais geral: “Nós adoramos fazer filmes que sejam excitantes, românticos e que entretenham, mas que também explorem ideias. Nós tentamos no nosso trabalho oferecer diversas maneiras de apreciar os filmes. Visualmente, queremos mostrar à audiência algo que elas nunca viram; emocionalmente, buscamos oferecer suficiente ação e romance para satisfazer o garoto que há em nós; e, finalmente, procuramos novas perspetivas ou ideias para diversos problemas pessoais ou das nossas vidas diárias”.

Halle Berry, por sua vez, acredita que nunca mais tomará parte em algo assim. “Amo a originalidade do filme. Ele quebra tantas barreiras. Ao mesmo tempo deixará as pessoas a pensar na forma como percebem o mundo e as suas próprias vidas”.  

É cedo para falar em flop

Pelo menos é isso que acreditam os produtores após o filme ter registado apenas U$ 26 milhões nos Estados Unidos – depois de ter tido um custo de U$ 100 milhões que a torna a mais cara produção independente de sempre. Segundo os produtores, a estratégia do filme ter sido financiado por companhias de vários países passa pela ideia de que ele fará três vezes mais dinheiro fora da América, onde foi lançado em pouco mais de 2000 salas (um blockbuster chega a sair em 4000).
 
Até agora, para os países grandes, só há números concretos para Rússia e Alemanha. No caso do primeiro, o filme foi lançado com uma grande dose de confiança: 1500 salas, um grande número para a Rússia. Resultado: uma bilheteira de U$ 14 milhões. Já na Alemanha a obra foi exibida em 750 salas, rendendo U$ 6 milhões (com um afluxo de 560 mil espetadores). 
 
 

De qualquer forma, as contas só poderão ser encerradas em março do próximo ano, quando o filme já tiver estreado em todos os países com grande número de espectadores, como o Brasil, Espanha, Itália, Inglaterra, Austrália, China, França e Japão. O mercado asiático, de onde provém 25% do financiamento do filme, é tido como dos mais importantes para assegurar a rentabilidade de “Cloud Atlas”.

Críticos: Do Oito ao Oitenta

Já a reação entre os críticos e o filme foi bastante dividida. Nos Estados Unidos, para o crítico do Saloon, Andrew O’Hehir, trata-se da “mais bela e peculiar visão no grande ecrã este ano”; para Roger Ebert, um filme com grandes momentos e “um dos mais ambiciosos já alguma vez realizados”. Precisamente o contrário disse Steve Persall, do Tampa Bay, que considerou o filme a “maior perda de tempo e dinheiro do ano”. 

Os realizadores


Os Wachowski têm Channing Tatum e Mila Kunis já associados ao seu novo projeto, “Jupiter Ascending”, previsto para 2014. Trata-se de um filme de ficção cientifica onde os humanos ocupam o fim da cadeia evolutiva do universo e uma jovem é definida como um alvo a abater pela Rainha do Universo – por esta considerá-la uma ameaça ao seu reinado.

Tom Tykwer, conhecido por “Corra Lola Corra”, “O Perfume” e “A Organização”, já esteve em cartaz este ano em Portugal com seu último projeto a solo, “3”

O elenco

 

Tom Hanks, que este ano esteve em cartaz em Portugal com “Extremamente Alto Incrivelmente Perto”, protagoniza o novo trabalho de Paul Greengrass, “Captain Phillips”, filme baseado na vida real do capitão e no seu encontro com piratas somalis. Tem o lançamento previsto nos Estados Unidos para outubro do próximo ano. O ator atuará ainda em “Saving Mr. Banks”, obra que conta a história da produção do clássico “Mary Poppins” e onde Hanks será Walt Disney. Para 2014, protagoniza ao lado de Natalie Portman “In The Garden of Beasts”, o novo trabalho do realizador de “O Artista”, Michel Hazanavicius. Para um futuro próximo ainda voltará ao franchise Toy Story na sua quarta aventura.

O próximo projeto de Halle Berry é “The Hive”, onde contracena com Abigail Breslin.

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 http://www.youtube.com/watch?v=HhdNFOpghuA
 
Realização: Lana e Andy Wachowsky, Tom Twyker.
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Ben Whishaw, James D’Arcy, Xun Zhou, Keith David, David Gyasi, Susan Sarandon, Hugh Grant. EUA, Hong-Kong, Singapura, Alemanha, 2012.{/xtypo_rounded2}

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