Argo: o falso filme que ficou na história…

(Fotos: Divulgação)
Iranianos revolucionários e nada amigáveis, sob o comando do Ayatollah Khomeini, extrapolam a sua fúria pelas ruas de Teerão. Dos Estados Unidos, exigem a extradição do xá Reza Pahlevi, moribundo num hospital de Nova Iorque, para ser julgado no seu país. Pahlevi não havia governado a antiga Pérsia de uma forma propriamente humanitária, mas como o seu governo de assassínios e torturas foi uma aliado fiel dos norte-americanos na região, o então presidente Jimmy Carter recusa-se a ceder ao pedido dos iranianos. Estes invadem a embaixada e fazem 60 reféns. Seis diplomatas escapam e ficam escondidos na casa do embaixador canadiano e a CIA desencadeia uma operação para tirá-los de lá. 

George Clooney comprou os direitos para produzir um filme a partir de um artigo publicado na revista Wired. O texto abordava os pormenores deste empreendimento, que tinha a enorme peculiaridade de ter juntado governo norte-americano, serviços secretos… e Hollywood. Só em 1997, durante o governo Bill Clinton, o processo havia sido liberado publicamente. 

Clooney contratou argumentistas para transformá-lo em filme, mas o processo demorou alguns anos e só viu a luz do dia quando despertou um enorme interesse no seu colega Ben Affleck. O ator de “Ocean’s Eleven”, no entanto, esteve permanentemente ligado à produção – auxiliando nas cenas em que Affleck tinha que dirigir-se a si próprio. Tony Mendez, o agente abordado no filme, também foi consultor e aparece como extra numa cena. 

Dado não ser muito recomendável misturar fama com política em Hollywood, o ator tem insistido na afirmação de que o seu filme não trata do assunto e pretende apenas prestar uma homenagem aos diplomatas do seu país. Na verdade, “Argo” apresenta muito mais política do que isso e inclusive utiliza um discurso de Jimmy Carter nos créditos finais. 

O que ele não podia contar quando pegou na história foi no processo de rápida degradação das relações entre Estados Unidos e Irão. O que acarretou que “Argo” seja lançado num momento bastante instável – tendo sido impossível de ser rodado no país do Médio Oriente (as filmagens decorreram na Turquia) e não permitiu a colaboração de amigos iranianos do ator que serviriam como consultores do projeto. 

Apesar de basear-se numa história verídica, a sequência de resgate no final é fictícia e obedeceu mais a necessidades de criar entretenimento. 

“Argo” teve excelente repercussão crítica nos Estados Unidos, que em geral elogiou as qualidades narrativas de Affleck e já o antecipam como um dos candidatos ao Oscar. As reações negativas tiveram mais a ver com a abordagem política. Kelly Vance, por exemplo, do East Bay Express, disse que “Argo” “…era uma implausível obra de patriotismo heroico”. Já nas bilheteiras duplicou seu custo, arrecadando U$ 85 milhões. 

Ben Affleck entrou neste ano no último projeto de Terrence Malick, “To The Wonder”, exibido em Toronto e Veneza. Só será lançado nos Estados Unidos em Abril do próximo ano. Na obra participam ainda Javier Bardem, Rachel McAdams e Olga Kurylenko. Com Justin Timberlake e Gemma Aterton protagoniza “Runner, Runner”, a ser lançado em setembro de 2013 e “Focus”, com Kristen Stewart, ainda sem data.
 
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Realização: Ben Affleck
Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston. EUA, 2012.{/xtypo_rounded2} 

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