«A Loucura de Almayer»: a natureza exuberante da insanidade

(Fotos: Divulgação)
 
 
Adaptação livre da primeira obra de Joseph Conrad, escritor polaco que se tornaria um dos grandes nomes da literatura inglesa da passagem do século XIX para o XX. Conhecido por retratar processos mentais febris, situados em paisagens “exóticas” advindas da experiência de Conrad como marinheiro, já viu 18 dos seus trabalhos inspirarem adaptações cinematográficas – cuja mais famosa é “Apocalipse Now”, de Francis Ford Coppola.

A história gira em torno de um mercador francês (Almayer, vivido por Stanislas Merhar) estabelecido em plena selva da Malásia, que vai enlouquecendo na medida em que assiste o gorar das suas expetativas de enriquecimento e que assiste passivamente ao afastamento da sua filha Nina (Aurora Marion) e principal razão de viver. O filme adota uma estrutura não linear, com planos longos e uma paisagem exuberante como pano de fundo. 

Conforme declarou a Fandor, a realizadora Chantal Akerman não vê seu filme como uma verdadeira adaptação de Conrad, mas afirma que a primeira parte do livro foi de fato o ponto de partida para a história que pretendeu contar em “A Loucura de Almayer”. Tão importante quanto o livro, foi o clássico e último filme de Murnau, “Tabu”, também ele passado em torno de amantes num território selvagem. Ao mesmo tempo, uma das temáticas caras ao escritor inglês, o colonialismo, não teve para ela nenhum interesse. “Este é um filme sobre sentimentos”.
 
A realizadora esteve na capital portuguesa na última semana, onde foi homenageada com uma grande mostra de sua obra no Doc Lisboa. 
 
O ator Stanislas Merhar, que já recebeu um César para Ator Mais Promissor em 1997 (por “Nettoyage à Sec”) também foi protagonista do mais famoso filme de Akerman, “A Cativa” (2000) e esteve em cartaz na Festa do Cinema Francês deste ano com “L’Art D’Aimer”, obra com os direitos de distribuição em Portugal já adquiridos pela Zon.

Único filme de Aurora Marion, cuja escolha no processo de casting partiu de um curioso critério de seleção por parte da cineasta. Marion vive em Londres, descende de belgas, gregos e ruandenses – o que torna impossível que no meio onde vive se saiba exatamente de onde ela provém. Para uma obra onde interessava bastante o caráter de “desterrados” das personagens, Akerman pediu-lhe simplesmente que dissesse, da forma mais seca que conseguisse, uma das frases de Nina no filme: “Eu não sou branca ou, em francês, “Je ne suis pas blanc”.
 
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 http://www.youtube.com/watch?v=PcjSkjiyCXc
 
Realização: Chantal Akerman
Elenco: Stanislas Merhar, Aurora Marion, Marc Barbé. Bélgica/França, 2011.{/xtypo_rounded2} 
 
 

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