Bellamy: o epitáfio de Claude Chabrol

(Fotos: Divulgação)

Mais um lançamento que segue a estratégia de aproveitar um nome em cartaz para tentar cativar o público. Neste caso, trata-se de Gerard Depardieu, nas salas com a última aventura de “Asterix” e que aqui encarna o personagem título. Acaba por ser uma oportunidade para os apreciadores do estilo policial muito particular do prolífico Claude Chabrol, que aqui realizou o seu último trabalho antes de falecer, em 2010, aos 78 anos.

Inteiramente filmado na cidade litoral de Nimes, sul de França, para onde desloca-se o famoso inspetor Bellamy e sua esposa para umas férias. Estas são interrompidas por duas ocorrências, uma na sua vida profissional, com um pedido de ajuda por parte de um homicida, outra pela chegada do seu problemático meio-irmão.

O filme homenageia na sua epígrafe os “dois Georges”, duas referências importantes para esta obra. Um deles é o escritor Georges Simenon, das histórias de detetives tão caras ao realizador, e criador do inspetor Maigret, que aqui inspira a caraterização deste “Bellamy”. O outro é o cantor francês George Brassens, falecido em 1981, e cuja canção “Supplique pour être enterré à la place de Sète” é fundamental na trama, que começa no cemitério referido na música.  

Desde sempre o mais comercial dos nomes da Nouvelle Vague, em que sua longa carreira (57 filmes) manifestou especial gosto pelos policiais, género que novamente aborda aqui na sua despedida. Essa foi a única colaboração entre Chabrol e Gerard Depardieu.
 
 

O ator, nos últimos cinco anos, entrou em 32 projetos (!) e está escalado para mais oito (!!) nos próximos dois anos – que inclui até uma produção do Cazaquistão, “Moi greshnyy angel”. No meio do maralhal, destaque para o novo de Ang Lee, “A Vida de Pi”, que estreia em Portugal em Dezembro, “Le Grand Soir”, que ganhou o Prémio Especial do Júri da mostra A Certain Regard, no Festival de Cannes 2011, “The Death of Ipu”, com Harvey Keitel, mais dois filmes com seu partner do último “Asterix”, Edouard Baer (“Les Boulistes” e “Les Turfistes”, este a incluir também Vahina Giocante, deste “Bellamy”), e uma nova versão de “A Bela e o Monstro”, com Vincent Cassel e Léa Seydoux

Jacques Gamblin já foi o melhor ator no Festival de Berlim, em 2002, por “Laissez-Faire” – além te ter sido nomeado três vezes ao César – o último por “Le Nom de Gens”, exibido na Festa do Cinema Francês do ano passado. 
 
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http://www.youtube.com/watch?v=GR0gDxRQhOc 
 
Realização: Claude Chabrol
Elenco: Gerard Depardieu, Clovis Cornillac, Jacques Gamblin, Marie Bunel, Vahina Giocante. França, 2009. {/xtypo_rounded2} 

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