Skyfall: 007 para o século XXI

(Fotos: Divulgação)

James Bond está de volta e, em geral, a convencer crítico e público com as suas novas aventuras. Desta vez, sob pressão do tempo e dos políticos, que consideram a ele e o seu departamento pertencentes a outros tempos e já sem utilidade. 007 enfrenta assim uma ameaça à própria sede da sua instituição, atacada por alguém que parece ter contas a ajustar com “M”. Na verdade, todo este novo filme do famoso agente gira em torno do seu eventual anacronismo – e a adaptação desta nova realidade às suas novas peripécias levou o seu tempo. 

Segundo o realizador Sam Mendes, em entrevista ao Collider, o atraso na produção do filme, que entrou mesmo em colapso, em 2010, com a falência da MGM, levou a um inevitável aprimoramento do argumento. Isto não quer dizer que tenha sido fácil: a identidade dos filmes de 007 está baseada numa série de elementos que fazem parte da mitologia da série – o que coloca importantes questões na hora de elaborar um novo projeto.

Uma obra de James Bond envolve locações variadas, que não podem ser as mesmas dos outros filmes – bem como as suas, não menos emblemáticas, cenas de ação; exige cuidados para a seleção das bond girls, dos agentes mais importantes e, claro, do próprio Bond. Tudo isso tem que ser pensado sem repetir os filmes anteriores. “Chega uma altura em que pensas: existe alguma história que ainda não foi contada? O que vou fazer?”

Neste sentido, ajudou ter atores com grandes capacidades dramáticas, pois possibilitaram expandir as caraterísticas das personagens – como o Bond de Craig e o vilão de Javier Bardem. A composição desta última personagem, assim como a possibilidade de atrair o ator espanhol para interpretá-la, também foi consequência do atraso das filmagens e surgiu na busca de Mendes por um vilão mais assustador do que o normal.

As filmagens iniciaram-se em novembro do ano passado, com sequências na China (Xangai), na Turquia (Adana e Istambul) e em Inglaterra (Londres, Surrey e nas Highlands escocesas). O custo foi de U$ 150 milhões, U$ 50 milhões a menos que o seu antecessor, “Quantum of Solace”. Adele canta a música principal. 
 
 

A nível de bilheteiras, ajustados à inflação, se os filmes protagonizados por Sean Connery permanecem imbatíveis, seguidos pelos de Pierce Brosnan, a série com Daniel Craig não pode queixar-se: “Casino Royale”, de 2006, é o nono mais lucrativo de sempre, ao passo que “Quantum of Solace” ocupa a 12ª. Roger Moore e Timothy Dalton ficam mesmo com o fundo da tabela.

Os próximos projetos de Craig são a adaptação do segundo livro da trilogia “Millennium” (em Portugal “A Rapariga que Sonhava com Uma Caixa de Fósforos e uma Lata de Gasolina”), para além de mais duas encarnações como James Bond, aparentemente com uma história em comum. 

Javier Bardem está no novo filme de Terence Malick, “To The Wonder”, com lançamento internacional previsto para o final do ano e onde atua ao lado de Olga Kurylenko,  Ben Affleck e Rachel McAdams. Em 2013 estará no elenco da adaptação de Ridley Scott ao trabalho de Corman McCarthy, “The Counselor”, com Brad Pitt e outro europeu em grande no cenário internacional, Michael Fassbender. Apesar da carreira internacional fulgurante, ele não deixa de filmar no seu país, e para o ano estreia “Alacrán Enamorado”.

Primeiro papel importante no cinema da atriz franco-asiática (descendente de chineses e cambojanos) Bérénice Marlohe, a tal que conseguiu ir ao casting do filme através do IMDB. Já Naomie Harris entra, ao lado de Idris Elba, em “Mandela: Long Way to Freedom”, previsto para o próximo ano.
 
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http://www.youtube.com/watch?v=LFzKmBChTxw 
 
Realização: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Judi Dench, Bérénice Marlohe, Naomie Harris, Albert Finney, Ben Whishaw. Inglaterra/Estados Unidos, 2012. {/xtypo_rounded2} 

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