No ano em que Ridley Scott regressou ao universo de “Alien”, com a estreia de “Prometheus”, também Tim Burton resolveu ir ao passado e recuperar uma história antiga. Um dos filmes mais aguardados deste final de ano, “Frankenweenie” traz de volta uma das primeiras curtas-metragens realizadas por Tim Burton para a Disney em 1984, quando o realizador de “Eduardo Mãos de Tesoura” era ainda um nome praticamente desconhecido.
Inspirado no clássico filme de terror “Frankenstein”, de 1931, “Frankenweenie” adapta esta obra de Mary Shelley à história de um rapaz chamado Victor que resolve ressuscitar o seu cão Sparky depois de este ser atropelado, recorrendo aos mesmos métodos do Doutor Frankenstein. Ocorre que o cão não retorna exatamente como era…
Tal como nas anteriores animações que contaram com o dedo de Burton, “O Estranho Mundo de Jack” (realizado por Henry Selick, mas quase sempre associado a Burton, que escreveu a história original) e “A Noiva Cadáver”, estamos perante um mundo sombrio, que ganha relevo através do preto e branco utilizado em “Frankenweenie”, mais uma homenagem ao clássico de terror realizado por James Whale e protagonizado por Boris Karloff. O único sinal dos tempos modernos é a presença do 3D, tecnologia já utilizada na versão de “Alice no País das Maravilhas”, assinada por Burton.
Produção e elenco
“Frankenweenie” é o segundo dos dois projetos previstos pela aliança entre o realizador e a Disney – depois de “Alice no País das Maravilhas”. O desenvolvimento do projeto não foi pacífico: a elaboração do argumento, por exemplo, arrastou-se deste 2005, incluindo a substituição de vários escritores. Na equipa, muitos membros de “Noiva Cadáver”. As filmagens começaram em julho de 2010. As datas de lançamento também sofreram variações – estando inicialmente previsto para o final de 2011, depois passando para março de 2013 (quando foi substituído por “John Carter”) e terminando por ser exibido pela primeira vez apenas no Fantastic Fest (em Austin, Texas), em setembro.
A bilheteira nos Estados Unidos foi sofrível – U$ 22 milhões para um custo de U$ 39 milhões. Apesar disto, quem viu, entre críticos e espetadores, gostou. Os críticos foram particularmente entusiásticos, destacando a inventividade e a poesia do filme e colocando-o entre os melhores trabalhos do cineasta – o que não é pouca coisa.
Winona Ryder volta a trabalhar com Burton depois de “Edward Mãos de Tesoura” (1990) e, excetuando um episódio dos Simpsons e outro do Dr. Katz, dar voz a animações é um território novo para atriz. Em 2012 ainda entra em “The Letter”, com James Franco, e “The Iceman”, recentemente exibido em Veneza e Toronto – com Chris Evans, Michael Shannon, Ray Liotta e, novamente, James Franco. Já “Homefront” é o único trabalho de Ryder em andamento. Escrito por Sylvester Stallone, é um filme de ação com Jason Statham e, adivinhem… James Franco!
Já o garoto Charlie Tahan tem dois projetos bastante auspiciosos num futuro próximo: o novo filme de Woody Allen, ainda sem título e que terá no elenco Cate Blanchet e Alec Baldwin, e a co-produção franco-americana “Blood Ties”, de Guillaume Canet – onde contracenará com um elenco de luxo que inclui Mila Kunis, Marion Cottilard, Clive Owen e Zoe Saldana, só para citar alguns. Ambos os filmes estão previstos para 2013.
Mas os fãs de Burton vão notar algumas ausências de peso do universo do cineasta quando chegar a altura do genérico final. Johnny Depp e Helena Bonham Carter, dois dos principais cúmplices de Burton, não estão presentes, por exemplo. Martin Landau e Martin Short completam o elenco principal.
Como não podia deixar de ser, a banda sonora de “Frankenweenie” volta a estar a cargo de um dos habituais colaboradores do realizador: Danny Elfman.
A técnica stop motion vista por Burton
Apesar de ser utilizar o 3D, tecnologia cada vez mais presente nos filmes atuais, à semelhança das animações citadas onde Tim Burton esteve envolvido no passado, também “Frankenweenie” foi feito em stop motion. Em entrevista recente, dada ao site Indiewire, o cineasta defendeu que «há algo belo em torno do processo de stop motion, de sermos capazes de tocar nos bonecos. Isso é um sentimento tão pessoal, através do meio em si, ver as personagens nos cenários com a luz e tudo. É como dar vida a algo. Não é o mesmo sentimento que temos com o computador, onde podemos fazer coisas incríveis, mas há algo em movimentar um objeto e depois vê-lo ganhar vida que nos liga aos primórdios do Cinema». Para Burton isto «é apenas um sentimento, nem sequer o conseguimos descrever».
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http://www.youtube.com/watch?v=9oE-bgU-enc
Realização: Tim Burton
Elenco: Winona Ryder, Charlie Tahan, Martin Landau, Martin Short. EUA, 2012.
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