Sistema movido por uma fúria regeneradora, Hollywood não tem muito espaço para quem comete o “pecado” de envelhecer. Assim como outros tantos exemplos de colegas de profissão, Richard Gere vai se movimentando nas antípodas do sistema. “O Espião Fantasma”, estreado em Portugal em Janeiro, foi lançado nos Estados Unidos em 45 salas; este “Arbitrage” em 256. Se, por um lado, condiciona a sua presença no universo mainstream, por outro lá vai lhe dando alguma hipótese de fazer algo com algum desafio temático – como este “Arbitrage”.
O enredo gira em torno de um mega empresário que subitamente inicia uma trajetória descendente, que o vai colocando diante dos mais diversos dilemas, ao mesmo tempo que o filme vai abordando temáticas diversas – a ganância, o oportunismo e o cinismo, a amizade e as relações familiares.
Muito interessante é o que o próprio ator pensa sobre o sistema e sobre si próprio inserido neste meio – conforme uma entrevista concedia a Azcentral. “Arbitrage” é um filme de crítica social, com algum caráter político. Para o ator, houve uma época, lá pelos idos de 70, 80, onde era mais comum se fazerem destes filmes. Ele diz não fazer ideia da razão do porquê do seu relativo desaparecimento, mas tem uma noção muito precisa do que inspirou seu personagem – um magnata ganancioso. “Uma vez eu estava em negociações com um produtor para fazer um pequeno projeto, algo barato, que não criasse demasiadas expectativas. Só não poderia era perder dinheiro. Então ele disse: ‘Nós não estamos neste negócio para pequenos lucros’. Esse era o seu ponto de vista, o qual não consigo entender”.
Gere reforça o caráter independente deste “Arbitrage – A Fraude”, que nem sequer tinham distribuidor quando foi terminado, ao mesmo tempo que nega a imagem de que seja um ator de blockbusters, dizendo que “nunca fez nenhum”. No mais, acha que o interessante do filme, para além de ser revelador e muito real a propósito do sistema financeiro, é que hoje há público para obras com personagens e questões realistas, que estejam de alguma forma interligadas com as suas vidas quotidianas.
O seu próximo trabalho é um filme para “a família”, a animação “Henry & Me”, com Chazz Palmintieri e “Movie 43” – obra que reúne 12 pequenos filmes realizados por diferentes cineastas e com um grande naipe de atores conhecidos. Ambos estão previstos para 2013.
Já Susan Sarandon deve querer entrar para o Guiness: 19 projetos, entre cinema e TV, em dois anos! Para resumir, basta dizer que o mais aguardado é “Cloud Atlas”, o novo trabalho dos Wachowski, que sai no final de outubro nos Estados Unidos e em dezembro por aqui, mas há ainda que referir «The Company you Keep», o novo filme de Robert Redford. Já Tim Roth, depois do final da série “Lie to Me”, entrou, além deste, em “Broken”, com Cillian Murphy e ainda sem data de estreia e “Liability”, a ser lançado em 2013. Brevemente ele será ainda visto – ao lado de Nicole Kidman – em «Grace of Monaco». Finalmente, há que referir a presença de Brit Marling, uma verdadeira coqueluche do cinema independente e que para além do dom em atuar, escreve também. «Sound of My Voice» ou «Another Earth» foram duas das obras onde se destacou no passado recente.
Primeiro filme do realizador Nicholas Jarecki, co-argumentista, com Bret Easton Ellis, da adaptação do seu livro “Os Informadores” (2008).
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Realização: Nicholas Jarecki.
Elenco: Richard Gere, Tim Roth, Susan Sarandon, Brit Marling, Nate Parker, Laetitia Casta. EUA, 2012.{/xtypo_rounded2}

