Mr. Nobody – Sr. Ninguém: a beleza da teoria do caos

(Fotos: Divulgação)

Deste verdadeiro furacão de filmes “antigos” que têm invadido as salas portuguesas nos últimos meses (e com muitos mais títulos programados até o fim do ano), “Mr. Nobody” é, até o momento, de longe o mais interessante – e dos poucos que justifica uma ida ao cinema para assistir no grande ecrã um lançamento tardio (nesta caso com uma desfasagem de três anos).

De uma complexidade rara, até a sinopse é difícil de esmiuçar – e na verdade não vale a pena expressar por palavras aquilo que deve ser uma experiência sensorial, visual, auditiva única. Basta dizer que um homem de 118 anos, o último dos mortais numa sociedade que aprendeu a contornar a morte, tenta relembrar o passado sob o prisma das múltiplas escolhas (e suas consequências) possíveis.

O resultado é um complexo e labiríntico puzzle que leva as possibilidades do famoso “efeito borboleta” (da “teoria do caos”, segundo a qual um ato qualquer desencadeia uma reacção noutro lado) às últimas consequências. De resto, os filmes que questionam a noção de tempo nunca foram fáceis – basta lembrar alguns exemplares magníficos como “A Fonte”, de Aronofsky ou “Donnie Darko”, a solitária obra-prima de Richard Kelly. Não é certamente para todos os públicos, mas a surpresa e a poesia são garantidas aos aventureiros.
 
 

De louvar a coragem dos produtores, a investir € 33 milhões num projeto de narrativa não linear – a mais cara produção belga de sempre. Um dos destaques foi o cuidado com os efeitos visuais – onde houve especial dificuldade com as complexas transições temporais do filme. No todo, 37 artistas e técnicos trabalharam só nesta unidade, sediada no Canadá. O responsável pelos efeitos, Louis Morin, é o mesmo de “O Despertar da Mente”.

Retorno de Jaco Van Dormael depois de 13 anos de sua consagração mundial com “O Oitavo Dia”, que começou por causar sensação no Festival de Cannes em 1996 e terminou por lhe render nomeações ao César e ao Globo de Ouro. Já “Mr. Nobody” fez parte da Seleção Oficial do Festival de Veneza 2009 e Jared Leto foi indicado ao Volpi de Melhor Ator.

O ator, que divide sua atuação no cinema com a sua banda 30 Seconds From Mars, possui uma carreira cinematográfica mais interessante do que 99% dos atores full time. Aqui tem uma possibilidade ímpar que não desperdiça – a viver “diferentes” vidas e a manter o foco naquilo que é a linha essencial da personagem. 

O elenco inclui Diane Kruger, Sarah Polley (de “O Despertar dos Mortos”, nomeada ao Oscar de Melhor Argumento Adaptado por “Longe Dela”, filme que escreveu e realizou), Natasha Little (mais conhecida na televisão inglesa) e Rhys Ifans – que este ano foi o vilão do “Fantástico Homem Aranha”. 

Destaque também para a banda sonora de Pierre Van Dormael, irmão do cineasta, que veio a falecer logo depois de encerrar o seu trabalho para este filme.
 
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Realização: Jaco Van Dormael
Elenco: Jared Leto, Diane Krugger, Sarah Polley, Rhys Ifans, Natasha Little. BEL, CAN, ALE, FRA, 2009.  {/xtypo_rounded2} 
 
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