A Dupla Pele do Diabo: As vilanias do filho de Saddam Hussein

(Fotos: Divulgação)

“Devil’s Double” é um livro autobiográfico lançado em 2011 pelo refugiado iraquiano Latif Yahia. Ainda que o seu relato não pudesse ser totalmente comprovado, lançava um impressionante insight sobre o interior do governo do seu país sob o comando de Saddam Hussein. O seu conhecimento vinha de, em função da semelhança física, ter sido obrigado por um dos filhos do ditador, Uday, para ser o seu “duplo” – responsável por se fazer passar por ele sempre que houvesse perigo. A viver compulsoriamente dentro do regime, testemunhou todo o tipo de barbáries perpetradas por Uday. 

Foram quatro produtores de cinema, dois belgas e dois holandeses que acharam que seria uma grande ideia transformar o livro de Yahia num filme. Contrataram o argumentista Michael Thomas, já com um vasto currículo que inclui alguns “clássicos” dos anos 80 como “Fome de Viver” e “A Mulher Falcão”, que pôs-se a trabalhar no material – tendo recolhido informações junto do próprio autor. 

A transformação do livro em filme acabou por ser uma experiência catártica para Yahya, que foi consultor e esteve presente nas filmagens. Ele, que declarou numa entrevista que “nunca mais conseguir dormir” depois do que viveu, disse ter sentido “um enorme alívio por sua história estar a ser contada”.

Já a opção pelo neo-zeolandês Lee Tamahori (de “A Conspiração da Aranha” e “007 – Morre Noutro Dia”) para realizar o filme recaiu em função do seu primeiro filme, “A Alma dos Guerreiros” que, no entender dos produtores, tinha uma forma de utilizar a violência que possuía a visceralidade necessária para dar o tratamento que o material exigia. O realizador, por sua vez, disse ter aceitado logo por ser fascinado pelas figuras de ditadores, por investigar a maneira como viviam e como morriam.

A parceria entre o realizador, o escritor e os produtores vai continuar: atualmente preparam “Emperor”, filme histórico passado no tempo do imperador espanhol Carlos V – e ao que parece reúne os mesmos ingredientes, violência, sexo e política.
 
 
Dominic Cooper 

Quanto ao elenco, o destaque óbvio é Dominic Cooper que tem aqui a oportunidade para brilhar ao desempenhar dois personagens em simultâneo – o inocente Yahia e o malévolo Uday. Nos últimos anos, construiu uma carreira com um coleção invejável de títulos, seja por razões de crítica ou de público – ou de ambos: “Mamma Mia”, “A Duquesa”, “Outra Educação”, “Tamara Drewe”, “Capitão América – O Primeiro Vingador”, “Minha Semana com Marylin” e “Diário Secreto de um Caçador de Vampiros”. Como se não bastasse, está presente em outros cinco (!) projetos para os próximos dois anos. Entre estes, destaque para “Dead Man Down”, ao lado de Noomi Rapace, Colin Farrell e Isabelle Hupert, “Cities”, com Orlando Bloom e Kirsten Dunst, e “November Man”, com Pierce Brosnan.

Ludvinie Sagnier, referência em França e bem conhecida por seus trabalhos com grandes realizadores como François Ozon, Christophé Honoré e Claude Chabrol, esteve em “Os Bem-Amados”, estreado em Portugal no ano passado, Ainda assim, ela será sempre recordada pelo seu papel sedutor em «Swimming Pool», surpreendendo nesta obra pela transformação visual.
 
 
Ludvinie Sagnier 

Por fim, para não dizer que tudo era mal no filho de Saddam, a figurinista do filme, Anne Shepherd, indicada ao Oscar na categoria Melhor Guarda-Roupa por “A Lista de Schindler” e “O Pianista”, afirmou ter ficado surpreendida com as fotos que mostravam que Uday possuía um gosto excelente para vestir-se, caraterística que a norteou na composição visual da personagem.
 
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Realização: Lee Tamahori
Elenco: Dominic Cooper, Ludvine Sagnier, Philip Quast. Bélgica/Holanda, 2011.{/xtypo_rounded2}

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