Se a Revolução Francesa, cujo “Adeus Minha Rainha” estreia esta semana, é um dos assuntos recorrentes da cinematografia francesa, o mesmo pode-se dizer da 2ª Guerra Mundial em relação ao cinema mundial. Nesta produção de 2010 protagonizada por Jean Reno, mais uma vez é a tragédia dos judeus que é revisitada – mas num país onde este assunto é particularmente incómodo. É que, durante décadas, a questão do colaboracionismo francês com as políticas genocidas dos nazis foi um verdadeiro tabu. Uma das primeiras obras a abordar de forma corajosa o assunto, “Lacombe Lucien” (1974), de Louis Malle, caiu, como não poderia deixar de ser, como uma bomba na sociedade francesa.
“La Rafle” (referência ao Velódromo que serviu de palco à ação principal) segue os acontecimentos e personagens relacionados com um dia particularmente fatídico – o 16 de Julho de 1942, quando cerca de 13 mil judeus foram levados para o Velódromo de Paris para ser entregues aos nazis. A maioria morreu devido às terríveis condições do local, onde foram obrigadas a permanecer durante cinco dias; os demais foram enviados para campos de concentração e apenas cerca de 1000 retornaram à França após o final da guerra.
Após cinco anos de pesquisas, a realizadora Rose Bosch reuniu material que considerava suficiente para trazer ao público, através do cinema, um episódio que era só conhecido dos historiadores. A ideia veio da sua própria vida familiar. Bosch não é judia, mas seu companheiro Alain Goldman, co-produtor do projeto, é descendente de alguns dos poucos sobreviventes daquele episódio. Conforme relatou a realizadora à SBS Film, a história esteve fora de qualquer abordagem artística ou jornalística até o presidente Jacques Chirac, em 1995, ter pedido desculpas publicamente pelo acontecido, referindo-se ao facto como um “pecado inesquecível”.
Entre algumas curiosidades no enfoque da cineasta, a evocação de Hitler a tomar decisões sobre a “solução final” não em escritórios cobertos de mapas, mas sim no conforto das suas residências de luxo. Alguns dos personagens do filme são reais, vividos por pessoas que tomaram parte nos acontecimentos.
Diferente de outras obras que têm sido lançados no circuito comercial já com alguns anos de atraso e que vem de passagens obscuras nos seus países de origem, “La Rafle” foi um grande sucesso em França no ano em que foi lançado (2010). Com nove mil figurantes, foi rodado na Hungria, onde o Velódromo foi reconstruído.
Ao que parece, a parceria entre Rose Bosch e Jean Reno funcionou: eles voltam a trabalhar juntos em “Rasputin” previsto para 2013. O ator, aliás, em breve será visto nos ecrãs portugueses em mais dois trabalhos, “O Chef”, que terá antestreia na Festa do Cinema Francês antes do seu lançamento comercial, e “Alex Cross”, produção norte-americana com estreia prevista para outubro.
Já Mélanie Laurent passou por Portugal este ano para as filmagens de “Comboio Noturno para Lisboa”, que será lançado em 2013. Ela também entra no aguardado “An Enemy”, projeto baseado em “O Homem Duplicado”, de José Saramago, que Dennis Villeneuve (do elogiadíssimo “Incendies”) prepara e onde também entra Jake Gyllenhaal. Também em outro filme previsto para o próximo ano, o norte-americano “Now You See Me”, Laurent contracena com um grande elenco, que inclui nomes como Morgan Freeman, Jesse Einsberg, Mark Ruffalo, Woody Harrelson e Michal Caine.
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Realização: Rose Bosch
Elenco: Jean Reno, Mélanie Laurent, Sylvie Testud, Gad Elmaleh. França, Hungria, Alemanha, 2010. {/xtypo_rounded2}

