A base da narrativa é a história de um homem cuja esposa é morta acidentalmente num fogo cruzado entre polícias e rebeldes em Teerão. Depois de ser preso por se ter vingado, é levado por dois policiais para a floresta. Ocorre que eles se perdem e tornam-se difusas as fronteiras entre caçado e caçador.
Já há muitos anos que o Irão é uma figura ilustre no mapa do cinema internacional, com vários nomes consagrados. O último trabalho do realizador Rafi Pitts, presente na seleção oficial do Festival de Berlim 2010, faz uma breve passagem pelo grande ecrã em Portugal (uma semana no Nimas, em Lisboa) antes do seu lançamento em DVD. Segundo trabalho do cineasta a figurar entre os selecionados de Berlim – o outro foi seu projeto anterior, “It’s Winter”, de 2006.
Lidar com política e figuras institucionais não é fácil em lugar nenhum, mas o Irão não é, de facto, um país famoso pela sua tolerância. Numa entrevista à britânica Time Out, Pitts explicou que para obter autorização para rodar e lançar um filme, o projeto tem que passar por três níveis de censura: uma para o argumento, outra para permitir a sua participação em festivais e uma terceira para aprovar seu lançamento comercial.
Verdadeira via crucis, da qual “The Hunter” escapou com alguma sorte: depois do argumento ter levado seis meses para ser aprovado, ocorreu a revolução política de 2009 – e todos os censores antigos caíram com a instabilidade politica. Assim, já não teve que passar pelos dois estágios posteriores. O realizador acredita ainda que o protagonista e o seu ódio terminam por ser representativos de toda uma geração reprimida, que com o passar o tempo acaba por se tornar em verdadeiras bombas-relógios.
{xtypo_rounded2} O Caçador
http://www.youtube.com/watch?v=9D5Jlu0d-8Q
Realização: Rafi Pitts
Elenco: Rafi Pitts, Mitra Haijar, Naser Madahi. Alemanha/Irão, 2010. {/xtypo_rounded2}

