Resident Evil: o sobrevivente ao vírus do fracasso das adaptações de videojogos

(Fotos: Divulgação)

Por mais defeitos que se apontem ao franchise «Resident Evil» (que existem), uma coisa é certa. Esta é a adaptação de um videojogo ao cinema que melhores resultados tem conseguido. E aqui, como na maioria dos filmes explosivos de ação, nem interessa nada que a crítica profissional ou amadora diga mal dele, pois conseguir chegar aos cinco filmes, sem um reboot, remake, sidequel ou outra nova mania de Hollywood pelo meio, é uma raridade.

Foi há 10 anos precisamente que Milla Jovovich vestiu pela primeira vez a pele de Alice, sendo ela uma das principais razões do sucesso do franchise. Deixando de lado o tom ingénuo de «O Regresso à Lagoa Azul», o poder de ser «O Quinto Elemento» ou a perseverança e mística de «Joana D’Arc», esta modelo transformada em atriz deu vida a uma das personagens femininas mais fortes do cinema de ação atual, conseguindo sobreviver (tal como a sua franquia) muito melhor que Kate Beckinsale no seu «Underworld», outra das pérolas financeiras da Screen Gems.

Mas afinal de contas, onde acertou Paul W.S. Anderson e a saga «Resident Evil»? Aliás, como conseguiu o franchise ser bem sucedido monetariamente onde «Doom», «Silent Hill», «Max Payne», «Street Fighter», «Tekken» e até «Tomb Raider» falharam, pelo menos em termos de longevidade cinematográfica?

Não havendo uma resposta certa para a resposta, a verdade é que «Resident Evil» nunca se levou muito a sério, nem se revelou fundamentalista na sua adaptação, até porque não podia pois há coisas no mundo dos videojogos que quando transpostas para Live Action tornam ridículos os próprios filmes. E quem o diz nos videojogos, diz na animação, basta ver os resultados de «O Último Airbender» ou da bizarra adaptação de «Dragon Ball».
 

Misturando horror e fantasia,  mas dando sempre mais força à ação, o filme conquistou o público, não como uma obra prima (que nunca o foi), mas como um entretenimento escapista com forte poder de atração ao longo de uma década. Para isso não bastou apenas dar força à protagonista,  mas preencher o franchise com outras personagens que revelaram ser mais valias muito próprias: como Sienna Guillory e Michelle Rodriguez, duas atrizes perfeitas para esta festa de pancadaria coreografada, empresas demoníacas, vírus horrendos e mortos vivos em abundância. Quando olhamos para elas não vemos bonecas como em «Sucker Punch -Mundo Surreal», mas figuras que nos inspiram a confiança que eram bem capazes de “dar porrada como gente grande“.

Fazendo uma década com sucessivas melhorias de resultados no box-office, especialmente depois de surgir em força o 3D, «Resident» tornou-se um exemplo de longevidade, não só no mundo das adaptações de videojogos, mas das franquias em geral. E isso não se pode apagar da história…

O segredo está na Capcom?

Para Paul W.S. Anderson, cineasta que acumula um historial de criticas destrutivas ao longo da sua carreira («Alien Vs Predator», «Os Três Mosqueteiros»), há ainda um elemento fulcral que se deve analisar. O facto de a Capcom, a criadora do jogo, facilitar o seu trabalho ao introduzir constantemente novas personagens, uma evolução dos vilões e um crescimento do grau de dificuldade em superar os desafios. A fama do videojogo prolonga-se ao cinema. «A Capcom facilita-me a vida, pois cada vez que introduzem um novo jogo surgem novas criaturas. (…) Eles refrescam sempre as personagens, os vilões, cenários, a ação e isso traduz-se na versão cinematográfica.  (…) Há sempre um esforço em não se repetir. Os mortos vivos que tínhamos no primeiro filme eram como os do primeiro videojogo, lentos, cambaleavam e não tinham qualquer tipo de inteligência. Se estivéssemos no meio do Central Park não corríamos perigo pois era fácil vê-los a chegar. Claro que ao longo dos anos, eles desenvolveram-se, tornando-se numa ameaça maior», concluiu Anderson por ocasião da promoção ao filme.

E vamos ter um sexto filme? Certamente que sim, mas até lá há um caminho a percorrer que começa com esta «Retaliação».
 
 
{xtypo_rounded2}«Resident Evil – Retaliação», de Paul W.S. Anderson
 
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Elenco:  Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Aryana Engineer, Bingbing Li
 
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