Os grandes flops de 2012 – Parte II

(Fotos: Divulgação)
(ver parte 1)

A saga dos desacertos de 2012 continua. Abaixo mais filmes que falharam nas bilheteiras este ano:

“Battleship- Batalha Naval”. A nível dos grandes blockbusters foi outro a ficar muito longe dos seu ambicioso ponto de partida, que pretendia a criação de um franchise – ainda que a nível internacional tenha conseguido empatar os seus custos. A ideia de transformar um jogo de tabuleiro num filme não se revelou muito animadora e, ao que parece, a luta inglória dos argumentistas para extrair leite de pedra não agradou ao público. Isso teve consequências diversas, entre as quais o de dar o golpe de misericórdia no acordo firmado em 2008 entre a Universal e Hasbro. A empresa é a 2ª maior produtora de brinquedos do mundo e detentora dos direitos de jogos e bonecos diversos – entre os quais os bem-sucedidos no cinema “Transformers” e “G.I.Joe” (este não foi de todo um grande sucesso, mas conseguiu uma sequela). A Universal já havia desistido de “Detetive”, “Risco”, “Monopólio”, “Ouija” e “Magic the Gathering” – e “Battleship” era sua grande aposta. Dos dois que restavam, “Candy Land” será produzido pela Columbia junto a Adam Sandler e sua produtora, e “Stretch Armstrong” passou para a Relativity, onde já se iniciou uma dança de argumentistas que já empurrou a data de lançamento do filme para 2014 – além da desistência de Taylor Lautner para protagoniza-lo. Mal também para Taylor Kitsch, que amarga dois flops colossais em único ano (o outro foi “John Carter”). Em termos de produção custou U$ 209 milhões o que, somado às verbas para marketing, que nestes casos é considerável, o valor pode ter chegado aos U$ 300 milhões. Rendeu por volta disto no mundo todo. Da Universal. 

“À Segunda Não me Escapas”. O que escapou à Katherine Heigl foi a regularidade relativa com que vem a tentar construir uma carreira no cinema pelo menos tão bem sucedida quanto a da sua origem televisiva, na série a “A Anatomia de Grey”. Longe de ser um consenso crítico, em termos de público tem vindo a capitalizar alguns acertos – em especial com “Um Azar do Caraças” (2007), e mais alguns hits medianos, como “Vestida para Casar” (2008), “ABC da Sedução” (2009), “É a Vida” (2010). Mas neste seu “thriller” romântico como caçadora de recompensas o valor resgatado não deu para pagar as contas. Custou U$ 40 milhões, rendeu 36 no box office mundial. Da Lionsgate. 


“Um Homem no Limite”. Histórias convencionais em si não são necessariamente sinónimos de fracasso, mas foi o que aconteceu a este filme em que Sam Worthingtan (“Duelo de Titãs”) é acusado de um crime que não cometeu e resolve fazer justiça por conta própria chamando para si a atenção dos media. Um elenco a contar ainda com Elizabeth Banks e Ed Harris não ajudou. Custou U$ 42 milhões e rendeu o mesmo ao redor do mundo. Mais um da Summit/Lionsgate. Resta saber o quanto a franquia dos “twilight” terá que lucrar para segurar tantos desacertos num ano.

“Piranha 3DD”. O sucesso internacional do seu antecessor (“Piranha 3D”, de 2010, que custou U$ 24 milhões e rendeu U$ 83 milhões) parece ser a única justificação para que um filme com requisitos de qualidade tão mínimos tenha tido um budget de U$ 20 milhões. Mas desta vez a coisa não correu assim tão bem: após adiamentos e recuos acabou por ser lançado em apenas 86 salas e em simultâneo para vídeo on demand. Desta vez falhou a receita de utilizar todos os clichés já alguma vez usados em filmes de ataques de animais – somados a uma quantidade considerável de mulheres nuas a gritar. Já os monstrinhos agora abandonaram o seu habitat natural para entrar encanamentos adentro para atacar a malta. Rendeu U$ 386 mil nos EUA e mais US 4 milhões no exterior. Da Weinstein/Dimension.
 
 

“Pai Infernal”. Adam Sandler, um verdadeiro rei das bilheteiras, também não foi poupado. O filme terá que buscar pelo menos U$ 50 milhões mundo afora para empatar os gastos de um projeto que ficou-se pelos U$ 36 milhões nos EUA e custou U$ 70. Muito criticado por trabalhar com humor grosseiro temas como pedofilia, incesto, violação e misoginia. Sandler é um pai rebelde que retorna à vida do filho às vésperas do casamento deste após anos sem saber dele. Estreia em Portugal em Agosto. A companhia de Sandler, Happy Madison, foi co-produtora. Da Columbia.

“A Idade do Rock”. Também Tom Cruise já viu dias melhores. A estrear nas salas portuguesas esta semana, o filme dificilmente alcançará no exterior os U$ 75 milhões do seu budget mais os custos adicionais – uma vez que já foi lançado na maior parte do mundo e, dos países com grande número de espetadores, só faltam Brasil, Rússia e Japão. No total rendeu U$ 49 milhões. Mais um musical a investir na mitologia transgressora do rock’n’roll, em oposição ao conservadorismo (Zeta-Jones lidera uma campanha conservadora para fechar clube de rock’n’roll) – tudo com base em standards de hard rock dos anos 80. O público parece que não gostou do alinhamento e o elenco cheio de nomes conhecidos não foi suficiente para evitar o pior. Estes falhanços de Sandler e Cruise, aliás, até geraram um artigo da Forbes intitulado “Death of the Movie Star”?  Da Warner.

“O Fiel Companheiro”. Outro que está a estrear em Portugal em maus lençóis. Retorno de Lawrence Kasdan, cujos melhores dias parecem perdidos em algum lugar do passado, nove anos após outro flop, “O Apanhador de Sonhos”. Aqui reúne um grande elenco de veteranos para uma comédia dramática envolvendo o desaparecimento de um cão. Custou U$ 12 milhões, foi mal recebido pelos críticos e teve um lançamento em apenas 64 salas, rendendo U$ 774 mil. Cabe aos espetadores portugueses avaliarem se o filme merecia outra sorte. Da Sony. 


“Red Tails”. Este filme de guerra estrelado por Cuba Gooding Jr. serve para os negros dos Estados Unidos ficarem orgulhosos e dizer que também tiveram a “honra” de morrer pela pátria – ou, pelo menos, provar que eram tão destemidos quanto os brancos na guerra. Os “tuskgee” foram um grupo da força aérea norte-americana só composta por negros destreinados que tiveram que entrar na 2ª Guerra Mundial. Demorou quase 20 anos para George Lucas investir em algo que não tivesse a ver com Indiana Jones ou Star Wars. Errou o tiro. Sem previsões de lançamento no exterior e já em DVD nos Estados Unidos – ficou U$ 11 milhões aquém do seu custo de U$ 58 milhões. Da Fox.

“Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros”. Qualquer coisa não funcionou bem nessa insólita mistura de vampiros com um personagem histórico emblemático para os americanos. O consenso geral deu conta que a mistura de biografia histórica com filme de terror não gerou uma simbiose muito estreita. No seu país, arrecadou metade do seu custo – que foi de U$ 69 milhões. Curioso foi o seu lançamento: ao que parece para efeitos de motivação (?), foi exibido primeiro para as tropas norte-americanas estacionadas no Médio Oriente. Com os países onde ainda não foi lançado pode, eventualmente, assegurar os custos. Mais um da Fox, um dos pilares conservadores da América, que bem gosta de fazer filmes patrióticos. Os americanos é que não parecem assim tão interessados. 
 
 

“W.E.” A impressionante longevidade musical de Madonna é inversamente proporcional à sua capacidade de estabelecer uma carreira decente no cinema, seja como atriz, seja como realizadora – a despeito do seu fascínio evidente pela 7ª arte. Em termos de mainstream, como atriz teve alguns acertos em papéis secundários nos longínquos anos 90 (“Liga de Mulheres”, “Dick Tracy”) ou no papel principal como “Evita” (1996), de Alan Parker. De resto, se a coisa não correu melhor não foi por falta de esforço: nos anos 90 entrou em filmes de Tarantino, Abel Ferrara, Wayne Wang, Spike Lee e Woody Allen. Mas há 10 anos estragou tudo com o desastroso “Ao Sabor das Ondas”, realizado pelo então marido Guy Ritchie. Há menos tempo que isso, ela estreou como realizadora com “Sujidade e Sabedoria”, de 2008, filme que custou apenas U$ 3,5 milhões e mesmo assim deu prejuízo. Devia ter servido de alerta mas, pelo contrário, com “W.E.” foram gastos U$ 15 milhões – novamente produzido pela companhia da cantora, Semtex, que a estas alturas deve estar a pensar em mudar de ramo. Novamente com lançamento reduzido, faturou menos de U$ 1 milhão nos Estados Unidos e Inglaterra. O filme trata da história verídica do rei inglês Eduardo VIII, que abdicou do trono na década 30 para casar com uma plebeia. Da Weinstein.

“Battlefield America”. Existem filmes lançados em apenas 6 salas que renderam o dobro desse musical de Chris Stokes, que foi lançado em 282 cinemas. Os musicais parecem não estar em bom ano e este, que trata de pré-adolescentes num campeonato de hip hop, foi mais uma vítima. Teve o custo considerável de U$ 15 milhões e, até agora, rendeu U$ 172 mil. Da Cinedigm. 

“High School”. O mesmo se aplica e este barrete metido à Adrien Brody, filme de U$ 10 milhões lançado em 200 salas e que rendeu U$ 139 mil. A estas alturas é difícil saber o que aconteceu aos planos da Parallel Media de lançar o filme, pronto desde 2010 – ano em que foi apresentado em Sundance – em 1500 salas. Mas a julgar pelos resultados, talvez tenha sido melhor assim. Para não ser apanhado num teste de drogas aos alunos organizado por um diretor de uma escola, um deles resolve achar maneira de “pedrar” a escola toda. Se calhar é melhor Brody afastar-se da escola, pois destino semelhante a este teve seu filme anterior, “Detachment”, sobre o sistema escolar norte-americano. Da Anchor Bay. 
 
(ver parte 1) 

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