«Madagascar 3: Europe’s Most Wanted» (Madagáscar 3) por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)
Versão em Português, 3D 
 
Em teoria, cada filme deveria valer só por si e considerações sobre o seu contexto nunca deveriam afetar a nossa apreciação do mesmo. Um filme é um filme é um filme. Em teoria. Mas com a consistente genialidade que nos é trazida pela Pixar e o Studio Ghibli, a barra de expectativa para os filmes de animação foi elevada de tal forma que não temos escolha que não tornarmo-nos mais exigentes. 

Não quer isto dizer que todos os filmes de animação têm de ser obras épicas que desafiam as convenções narrativas e os limites artísticos da estética da animação. “Pacha e o Imperador”, de 2002, por exemplo, foi um injustamente esquecido filme da Disney que se desviou na direção no amor mais ‘cartoon’ e se tornou um genial e bem-humorado filme de culto. 

“Madagáscar 3” claramente tenta apostar numa proposta mais humorística e menos emocional que a maioria dos filmes da Pixar, mas enquanto que filmes como “Pacha e o Imperador” resultavam porque deixavam a sua loucura fluir sem rédeas, a nova animação da Dreamworks tenta incluir alguns momentos de tensão mais séria no meio da sua (maioritariamente) tresloucada narrativa. E estes momentos basicamente nunca resultam. 

Curiosamente, num filme que claramente aposta no humor das interações entre os vários animais que escaparam do Central Park Zoo e continuam a tentar desesperadamente regressar a Nova Iorque, é no visual que “Madagáscar 3” consegue alguns dos seus melhores momentos. Em fuga da polícia, o heterogéneo elenco de animais refugia-se num circo, o que leva eventualmente a algumas performances circenses de uma liberdade visual impressionante, numa impressionante de cor e movimento que surge muito inesperadamente num filme que tinha sido, até esse momento, razoavelmente banal. 
 
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Mas não se pode dizer que isso chegue. Um filme destes vive muito dos diálogos entre os personagens. Com uma percentagem de cerca 50/50 entre piadas bem conseguidas e tiros ao lado, podia ser pior, mas o problema nem está nos diálogos. Com um rol de personagens originárias de vários países, os talentos por trás das vozes deixam-se cair numa desastrada tentativa de ter piada com sotaques idiotas e exagerados. Não sei se será assim tão mau na versão original (que conta com um rol de estrelas convidadas quase absurdo), mas na versão portuguesa, a parafernália de sotaques torna-se, se não insultuosa, muito cansativa. 

O Melhor:Algumas sequências visuais nas performances circenses são muito, muito boas. 
O Pior:Os sotaques tornam-se cansativos muito rapidamente.
 
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 Pedro Quedas
 

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