Os grandes flops de 2012 – Parte I

(Fotos: Divulgação)


O ano ainda vai a meio e já passam de 14 o número de falhanços de filmes de Hollywood no box office mundial, sem contar as obras que naufragaram nos Estados Unidos e aguardam a reparação dos prejuízos no mercado internacional. De alguma forma, as fórmulas aparentemente certeiras que unem marketing massivo, estrelas globais e histórias acessíveis nem sempre têm funcionado. Os flops atingiram blockbusters, estrelas e filmes já à partida não muito cotados. Depois dos desastres, normalmente vêm as explicações dos analistas, umas mais consistentes que outras – mas a verdade é que eles são inevitáveis e a história do cinema americano está repleta deles.

O desastre mais monumental do ano é o de “John Carter”, inicialmente planeado para ser um franchising. Com os resultados, a coisa fica mesmo por aqui. Com um custo incrível de U$ 250 milhões, e acrescentando-se em torno de U$ 100 milhões para marketing global, o filme rendeu apenas U$ 73 milhões nos Estados Unidos e os U$ 209 milhões obtidos mundo afora não conseguiram salvar a Disney de perdas avultadas. Caso curioso, a mesma companhia teve outro desastre colossal no ano passado, a produção de Robert Zemeckis “Marte Precisa da Mãe” – que entrou para a lista dos maiores flops de bilheteira de todos os tempos. Por causa disto, os produtores decidiram retirar o nome de “Marte” do nome original do filme, que seria “John Carter of Mars”. Dado o resultado, parece mais superstição do que lógica de mercado: a culpa do falhanço não era mesmo do planeta vermelho. O chairman Rich Ross presidia a companhia durante esses dois flops e, independentemente de outros sucessos lançados no período, foi despedido em Maio. O realizador Andrew Stanton, por sua vez, que vinha dos criativos e bem-sucedidos filmes da Pixar, não conseguiu que o grande público partilhasse da sua paixão pelas histórias de Edgar Rice Burrows. Análises posteriores indicam que o orçamento exagerado, um marketing equivocado e um filme que não chega a ser marcante pela sua história ou por seus protagonistas, ditaram o fracasso. Da Disney.

Seguem-se outros grandes falhanços do ano:

“O Grande Milagre”. Os críticos elogiaram, mas o público não ficou muito sensibilizado para a história das três baleias cuja “tragédia” ocupou os telejornais em 1988. A história até tinha todos os ingredientes dramáticos para agradar o público: em tempos pré-perestroika, governos russo e norte-americano, mais ativistas do Greenpeace e esquimós uniram-se, cobertos por um grande circo mediático, para salvar três baleias que ficaram presas num buraco de gelo no Alasca. Um quebra-gelo da Rússia, país que está entre os maiores caçadores de baleias do mundo, salvou os animais. Os russos não salvaram foi a bilheteira do filme com Drew Barrymore e John Krasinski, que teve um orçamento $ 40 milhões e rendeu apenas $ 24 no mundo todo. Dos países importantes, só o Japão ainda pode mitigar os estragos. Da Warner.

“Gone”. Estreia não muito venturosa do brasileiro Heitor Dhalia em Hollywood. O thriller com Amanda Seyfried custou U$ 22 milhões e rendeu em torno de U$ 16 milhões no mundo todo. Pouco adiantaram as alterações e um novo final depois das audiências prévias; o filme continuou a ser muito criticado e o esforço da atriz não foi compensado. Dhalia, que afirmou não ter tido qualquer liberdade criativa nem hipóteses de reescrever o argumento, limitando-se a cumprir ordens expressas do produtor, quer continuar, em outras bases, a sua carreira em Hollywood. Mas, por ora, trabalha num projeto no Brasil. Da Summitt (Lionsgate).

 
 
 
“Amor e Outras Cenas”. No outro lado do Atlântico há quem sustente que a América já está um tanto cansada de Jennifer Aniston. Pode ser exagero, mas o tropeço do seu “Amor e Outras Cenas” foi considerável: arrecadou metade do seu custo. Muito mau para uma típica namoradinha da América, que atua ao lado de outro habitué de comédias românticas, Paul Rudd. Nesta, os dois formam um casal urbano que vai parar à uma comunidade hippie. As piadas de cunho sexual não ajudaram. A nível mundial o filme buscou apenas U$ 21 milhões do seu budget de 35. Portugal foi um dos países onde o filme mais fez dinheiro. Da Universal.

“A Thousand Words”. Eddie Murphy, que já foi “rei de Nova Iorque”, qualquer dia destes assume o posto de rei dos flops – já acumula uns tantos na sua acidentada carreira. A última bomba foi “A Thousand Words” (sem previsão para lançamento em Portugal), que dificilmente arrecadará fora os U$ 20 milhões de prejuízo (sem contar o marketing) que teve na sua terra natal. Uma história bizarra (Murphy é um agente comercial amaldiçoado por um guru que o conecta com uma árvore de forma a obriga-lo a falar menos!) aparentemente selou o destino do filme – pronto desde 2008 e “chumbado” nas audiências prévias. Quando finalmente chegou a coragem para o distribuir, o resultado não deve ter surpreendido aos produtores. Mas bateu um recorde – o do agregador de críticas Rotten Tomatoes, onde o filme conseguiu a façanha de não receber uma única crítica positiva. Da Dreamworks/Paramount.

“Safe, o Intocável”. Outro que anda com o estatuto sob pressão é o distribuidor de cacetadas Jason Statham, que nos últimos anos não emplacou uma – exceção à sua participação nos “Mercenários” de Stallone (para sua sorte, está incluído no próximo). Este custou U$ 30 milhões e rendeu 17 nos EUA, mais 18 mundialmente – o que, graças aos custos adicionais, não paga o filme. Parece óbvio que, a existir capacidade, está na hora de Statham se reinventar. Da Lionsgate.

“O Corvo”. A coisa já não andava famosa para o protegido dos Wachowski, James McTeigue – que depois de “V de Vingança”, seu fabuloso filme de estreia, caiu vários pontos com “Ninja Assassin, de 2009. A trajetória descendente acentua-se com essa mistela de contos de Edgar Allan Poe que gerou um filme nem coerente nem capaz de resgatar os U$ 26 milhões gastos na sua realização. Ficou-se pelos 22. Da independente Relativity.

 
 

 
“Lockout – Segurança Máxima”. Críticos mais apressados na América afirmaram que Guy Pearce não tem alcance para sustentar um filme deste género como ator principal. A verdade é que o projeto em si não ajudou, muito criticado pelos fãs do género pela pobreza da produção, dos efeitos visuais e pelo acumulo de clichés nesta história de resgate da filha do presidente no espaço por um agente acusado de um crime que não cometeu. Felizmente para Pearce, ator de reconhecidos serviços prestados ao cinema de qualidade, a coisa vai bem com “Prometheus”. Custou U$ 20 milhões, rendeu U$ 14 nos Estados Unidos e U$ 11 mundialmente. A coisa corre mal para a FilmDistrict – que amarga seu terceiro flop consecutivo – e para a EuropaCorp. de Luc Besson (que acentua os problemas financeiros).

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