Na verdade, se há coisa que o Homem Aranha nunca se livrou foi das críticas iniciais. Basta olhar para a escolha do ator por trás de Peter Parker. Quer Tobey Maguire como Andrew Garfield enfrentaram duras críticas quando foram selecionados. Não é nova esta situação. Aliás, nas adaptações de banda desenhada ao cinema surgem as maiores criticas quando se anunciam os castings. Até Heath Ledger foi espezinhado quando o escolheram para Joker.
A “estranha” escolha de Garfield para o Homem Aranha
Tal como Maguire, Garfield não tinha um percurso muito profícuo em blockbusters e filmes profundamente comerciais. Na realidade, ambos partilhavam um percurso interessante no cinema independente, onde se destacam fantasias que se tornaram objetos de culto à sua maneira: «Pleasentville – Viagem ao Passado», no caso de Maguire. «Never Let Me Go – Nunca me deixes», no caso de Garfield. A estes juntam-se filmes mais dramáticos e mais abrangentes (através de nomeações aos Óscares): «As Regras da Casa» no caso do antigo Homem-Aranha, «A Rede Social» no caso do novo Spidey. Aliás, uma coisa parece óbvia na busca de atores para este franchise. Sempre se procurou um Peter Parker e não um Homem Aranha.
Escolher Garfield, tal como Maguire, foi algo óbvio. A partir do momento em que se quer voltar à origem e à descoberta de Peter Parker da sua missão no mundo, dos seus tempos de adolescente, optar por alguém com capacidades dramáticas acima da média era fulcral. Ainda mais que a própria credibilidade como herói musculado de ação, pois nos filmes baseados em banda-desenhada, não há nada que digitalmente não se consiga.
O próprio Garfield define este como provavelmente o único blockbuster desta dimensão em que participará. O porquê? Porque não precisa de mais. A maioria dos atores precisa de mostrar serviço no cinema comercial e no cinema independente. No indie e menos comercial, Garfield já tinha deixado uma boa marca. Faltava um filme gigantesco. «Não preciso de fazer nada desta grandiosidade nunca mais. Este é um papel que dá visibilidade. Existem muito poucos papéis desta dimensão que me fizessem levantar da cama e o Homem Aranha é aquele que o conseguiu. Eu tinha de ser o Homem Aranha, pois ele é o meu favorito. E foi o meu favorito desde os três anos de idade», conclui Garfield sob o tema.
O Vestir o Fato
O salto para «Os Vingadores» e a ligação a «Venom»
Numa entrevista à Vulture da NY Mag, há uns meses atrás, Garfield admitiu que adorava participar numa sequela de «Os Vingadores» e que teve imensa inveja de não poder estar presente no primeiro filme. «Vi o filme e adorei. Vou ver outra vez no fim de semana. Não tenho problemas em contribuir para as receitas que está a ter. [risos] O Joss Whedon é um génio e o elenco é fantástico. Tive muita inveja. Eu queria saltar para dentro do ecrã e atuar com eles. Matou-me não estar presente, mas percebo a razão e não me senti insultado. Porém, se o Samuel L. Jackson quiser me chamar, estarei no próximo.»
Recordamos que o Homem-Aranha, tal como o Tocha Humana e Wolverine chegaram a fazer parte dos (novos) Vingadores na banda-desenhada. Porém, a Sony detém os direitos cinematográficos do primeiro, e a Fox dos outros dois, o que impede (em teoria) que participem num filme da Disney (estúdios rivais). Será que ainda vamos assistir a uma joint venture só para a sequela de «Os Vingadores»? Tudo é possível no mundo do cinema, e os produtores do Homem Aranha já deixaram uma porta aberta a essa possibilidade. Porém, primeiro é preciso ver o que este «O Fantástico Homem-Aranha» fará sozinho. «Tudo é possível. Se algo assim acontecer, será óptimo para a Disney e para a Sony…se a história certa aparecer. (…) A forma de fazer estes filmes de “equipa” funcionarem é criar os materiais base, quer tecnologicamente quer criativamente, em filmes [individuais]. Caso contrário não é possível», afirmou Avi Arad.
Para além disso, está aberto também um spin-off, mas este curiosamente começará também sozinho e só mais tarde poderá se ligar ao Homem-Aranha.
Enquanto se prepara um filme sobre esta personagem, fazem-se contas de uma possível ligação no futuro. «É a história de Eddie Brock. Nós queremos estar muito perto dos eventos que ocorrem nos comics e fazer um filme fantástico sobre o Eddie», afirmou Arad. Já o produtor Matthew Tolmach acrescentou que Eddie «é um jornalista. Ele errou na construção de uma peça jornalística e foi despedido.». Eventualmente se o filme funcionar, é mais que uma possibilidade Venom entrar numa sequela do franchise do «Homem Aranha».

