Já havia escrito que Branca de Neve parece ser a figura a reinventar este ano, sobretudo numa fase de pouca imaginação em Hollywood e em que a reciclagem de figuras e histórias antigas parece ser um dos caminhos mais fáceis a seguir. Apresentando uma versão mais negra da história, e onde o sombrio domina quase todo o filme, “A Branca de Neve e o Caçador” acaba por ser uma adaptação muito mais competente do que à primeira vista poderíamos esperar.
Mesmo assim, “A Branca de Neve e o Caçador” acaba por ser um filme de riscos. Não só é a segunda adaptação da história aos cinemas este ano, como é um filme orçado em mais de 170 milhões de dólares entregue a um realizador estreante, Rupert Sanders. Mas igualmente arriscada foi a escolha da protagonista que fez torcer alguns narizes.
Como Branca de Neve temos Kristen Stewart, cuja imagem atual está completamente colada ao papel de Bella na saga juvenil Twilight, o que por vezes pode não ajudar em nada, veja-se o exemplo de Robert Pattinson que teima em não vencer fora da saga. Sendo completamente honesta, Stewart não se afasta aqui muito do seu registo como Bella, uma lutadora e sofrida, mas a verdade é que era mesmo esse o registo que Branca de Neve pedia, por isso não desilude.
Como caçador aparece Chris Hemsworth catapultado pelo sucesso de “Thor” que se mantém igualmente fiel ao registo rude e brutamontes do super-herói. No entanto, o destaque do trio de protagonistas acaba por ir para a vilã, com Charlize Theron a dominar as suas cenas como Rainha Ravenna.
Por isso, “A Branca de Neve e o Caçador” não desilude. Tem entretenimento garantido, e alguma ação, sem esquecer igualmente a sua versão de conto de fadas, que lhe confere potencial para agradar a uma faixa alargada de público. E a bem da verdade, a estreia de “Espelho Meu, Espelho Meu, há alguém mais gira do que eu” revelou-se de tal forma desastrosa que acabou por aguçar a curiosidade para este obra, pelo menos a ver pelos resultados satisfatórios da “box-office” que já indicam que vamos ter direito a sequela.
Para concluir, o filme é competente no seu género, acabando apenas com falhar na reta final, ao dar muita atenção a alguns detalhes mais insignificantes, e dando ligeireza a questões mas prementes. A ver
O Melhor: Charlize Theron
O Pior: o final acaba por ser apressado face ao ritmo do resto do filme.
| Carla Calheiros |

