Está a chegar «Cosmopolis, a co-produção portuguesa que levou Robert Pattinson a Cannes

(Fotos: Divulgação)

Depois da sua estreia mundial na semana passada, em Cannes, “Cosmopolis” contou com a sua primeira antestreia pública ontem, no Centro Cultural de Belém, e atraiu muita atenção consigo. Não tanto por se tratar de uma co-produção portuguesa de um filme do conceituado realizador canadiano David Cronenberg, mas antes pela escolha que tomou para o actor principal: Robert Pattinson, mais conhecido pelo seu papel nos filmes da saga “Twilight”.

O que levou então Cronenberg a apostar no jovem actor britânico? “Ele era barato e estava disponível. E isso é sempre importante num filme de baixo orçamento”, respondeu, com humor, o realizador, numa conferência de imprensa no CCB, antes de revelar que Pattinson, “estava um pouco preocupado e tive de o convencer. Não de que seria um filme interessante mas de que ele era o actor certo para o papel”.

Também Robert Pattinson revelou ter alguma hesitação antes de aceitar a proposta de Cronenberg. “Gostei muito de ler o argumento, mas não sabia se iria resultar como filme”, apontou, destacando o elevado volume de diálogo e o facto da maioria da acção se passar dentro de uma limusina. No fim, o actor revelou que o prestígio do realizador e a qualidade do argumentou atenuaram os seus medo. “Quando encontramos um argumento tão bem escrito, é um choque. E o que é curioso é que a‘voz’da personagem chegou-me muito rapidamente. Saiu no filme exactamente como quando o li pela primeira vez”, recordou. 

 

Ponto de viragem?

Focado na alienação humana nos meandros do colapso financeiro de Wall Street, “Cosmopolis” é a primeira grande incursão do popular actor britânico no mundo do cinema mais “sério”. Questionado sobre a sua aposta, Robert Pattinson respondeu que não sabe se este “será um ponto de viragem” na sua carreira, admitindo, no entanto, que lhe perguntam se não estaria a encurralar-se num certo tipo de papéis com a sua participação nos filmes da saga “Twilight”.

O jovem actor reagiu com humor a questões sobre a sua opinião sobre a economia mundial. “Normalmente perguntam-me qual a minha comida favorita ou como seria o meu encontro perfeito. E agora dei por mim em Cannes a responder com grande confiança a perguntas sobre temas dos quais não percebo nada”. Saindo em sua defesa, David Cronenberg ironizou que “a verdade é que os economistas também não sabem”. 

 

 

Uma co-produção portuguesa

Apesar dos possíveis desafios técnicos e artísticos de filmar uma obra tão complexa como “Cosmopolis”, Cronenberg admitiu que, na verdade, “o maior desafio é o financiamento. Uma resposta aborrecida, eu sei. Está sempre na nossa cabeça até as filmagens”.

Também presente na conferência de imprensa, Paulo Branco revelou que o orçamento do filme foi de 15 milhões de euros. “Se excedesse seria sempre muito complicado. Todo o financiamento tinha de estar planeado, antes do banco libertar o dinheiro”. O produtor português acrescentou que “depois de ler o livro, percebi que era muito cinematográfico. A minha primeira escolha foi o David, mas eu não o conhecia”. A isto Cronenberg apontou, com o seu característico sentido de humor: “Ele pensava que eu era o David Lynch”.

O trabalho de Paulo Branco mereceu também elogios por parte de Robert Pattinson. “Já trabalhei com produtores que não se controlam a dar opiniões durante as filmagens, o que pode ser contra produtivo”, afirmou o jovem actor.“O Paulo só lá esteve nas filmagens uns três dias, o que só por si demonstra uma posição clara sobre a sua missão como produtor”. 

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