«Contraband» (Contrabando) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

À saída deste “Contrabando”, um espectador vira-se para o seu amigo e diz “Afinal rende!”

Eis a moral da história: o único rasgo de originalidade vem mesmo do falso moralismo da película em relação às suas personagens e respetivas ações. De resto, “Contrabando”, um remake norte-americano da película “Reykjavik-Rotterdam”, é “chapa 5” de filme de ação de domingo à tarde, onde não faltarão supostas surpresas retiradas de inúmeros outros filmes (o melhor amigo que afinal é o maior inimigo deles todos, o golpe que afinal não é assim tão simples, porque há personagens que se lembram de ter as atitudes mais estúpidas na altura errada, uma personagem que sobrevive miraculosamente, etc.). 

Mark Walhberg já demonstrou ter dotes para isto, e cumpre o serviço. Kate Beckinsale faz também bem o modelo de esposa em apuros (mas queremos vê-la de novo realmente desprotegida, como em “A Verdade e Só a Verdade”), e Giovani Ribisi volta a cair no papel de excêntrico, para variar. 

No fim deste “mega golpe”, mais previsível que amanhã ter o sol de novo a nascer, apetece apenas respirar fundo, e esperar para que o tempo não deixe qualquer vestígio da sua passagem. Porque haverá certamente melhores “passatempos” a custo inferior, e que deixam melhores marcas, é difícil recomendar um filme tão irrelevante como este, mesmo para completistas do elenco.
O Melhor: a ausência de moralismo. 
O Pior: a restante previsibilidade dos procedimentos.
 
 
 André Gonçalves
 

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