Wolfram: “western aborígene” conta a História a partir de outra perspetiva

(Fotos: Divulgação)

Um dos filmes mais aplaudidos na corrida ao Urso de Ouro de 2026, com salva de palmas ainda durante a projeção para a imprensa, numa intensa sequência de confronto, Wolfram afirmou-se como um dos títulos fortes da competição. O épico australiano transformou a conferência de imprensa na Berlinale numa verdadeira aula sobre o western.

O seu realizador, Warwick Thornton, cineasta de origem aborígene do povo Kaytetye, abriu um debate sobre a representação do Oeste a partir do ponto de vista das populações colonizadas pela brutalidade europeia.

“Cresci em Alice Springs, onde só existiam duas salas de cinema e éramos obrigados a ver o que exibiam. O primeiro Star Wars (1977), por exemplo, só chegou dois anos após a sua estreia nos EUA, numa cópia toda riscada. Depois veio o VHS e tivemos a oportunidade de ver o que queríamos, como se estivéssemos numa biblioteca, livres. Ali, em vídeo, vimos todos os westerns possíveis. Os de Charles Bronson nunca falhavam. Cada vez que víamos um western, havia a sensação de que o cinema estava ali a lamentar um tempo que acabou. A questão é: para Alice Springs, esse tempo não acabou. Eu era ainda jovem e via pessoas a andar a cavalo pela cidade”, afirmou Thornton, em resposta ao C7nema.

“O que mudou é o facto de agora termos um ‘western aborígene’, a falar sobre a História a partir de outra perspetiva.”

Na fronteira colonial da Austrália dos anos 1930, dois bandidos arrogantes chegam a uma cidade mineira e desencadeiam uma onda de crueldade, levando dois irmãos a libertarem-se dos seus senhores brancos, que os obrigavam a trabalhar nas minas desde crianças. Os irmãos fogem e atravessam o deserto da Austrália Central, em busca de segurança e de um caminho para casa.

Ambientado no mesmo universo do multipremiado Sweet Country (2017), o novo filme recria uma geografia de luta e resistência, com destaque para as interpretações, entre elas a de Deborah Mailman.

“Tento procurar um sentido de estilo sem retratar as minhas personagens como vítimas”, afirmou Warwick Thornton. “A redenção é o eixo de uma narrativa centrada na sobrevivência.”

A Berlinale decorre até 22 de fevereiro.

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