O Festival de Berlim, que decorre de 12 a 23 de fevereiro, começou a revelar os primeiros títulos das seções Panorama e Gerações, mostrando a sua atenção ao pulsar do mundo e às questões políticas, sociais e identitárias.
Num misto de ficção, documentário e formas híbridas, a Panorama apresenta nas estreias mundiais filmes como Allegro Pastell (2026), de Anna Roller, um retrato de uma relação à distância marcada pela tensão entre intimidade e autonomia. Na mesma linha surge Iván & Hadoum (2026), de Ian de la Rosa, coprodução europeia centrada numa história de amor entre dois trabalhadores agrícolas no sul de Espanha.
A dimensão política assume maior relevo em Staatsschutz (2026), de Faraz Shariat, ao acompanhar uma procuradora alemã que leva a tribunal o seu próprio caso, isto depois de sobreviver a um ataque racista; e em Only Rebels Win (2026), de Danielle Arbid, um romance improvável num Beirute em crise, entre uma mulher palestiniana e um jovem refugiado sudanês.

No documentário, a Panorama Dokumente apresenta Bucks Harbor (2026), de Pete Muller, um retrato da masculinidade numa comunidade costeira do Maine; Jaripeo (2026), de Efraín Mojica e Rebecca Zweig, que faz uma viagem aos rodeos hipermasculinizados do México a partir de uma perspetiva queer; e Trop c’est trop (2026), de Elisé Sawasawa, que viaja à realidade de Goma, na República Democrática do Congo, após décadas de guerra.
A selecção inclui ainda London (2026), de Sebastian Brameshuber, um retrato de encontros ocasionais numa Europa em trânsito; Mouse (2026), de Kelly O’Sullivan e Alex Thompson, sobre amizade e perda na adolescência; Two Mountains Weighing Down My Chest (2026), de Viv Li, num jogo de identidade e pertença entre Berlim e Pequim; Un hiver russe (2026), de Patric Chiha, sobre o exílio russo pós-invasão da Ucrânia; e Shibire (2025), de Takuya Uchiyama, em estreia internacional, que acompanha um rapaz, moldado por um pai tirânico e por uma mãe que simultaneamente ama e ressente, na costa norte do Japão.
No que diz respeito à secção Generation, dedicada a filmes que exploram a infância, a adolescência e os processos de crescimento, a Generation Kplus exibe o documentário brasileiro A Fabulosa Máquina do Tempo (2026), de Eliza Capai, que acompanha raparigas no sertão brasileiro em transição da infância para a adolescência. A animação marca forte presença com Bats & Bugs (2026), de Lena von Döhren, ÖÖmõtted (2026), de Jonas Taul, e Papaya (2025), de Priscilla Kellen.
Entre os filmes com protagonistas jovens, destaque ainda para Ghost School (2025), de Seemab Gul, sobre uma criança que investiga o encerramento misterioso da sua escola numa aldeia paquistanesa, e Tegenwoordig heet iedereen Sorry (2026), de Frederike Migom – retrato sensível de uma rapariga que procura o seu lugar no mundo num dia de verão decisivo.
Na Generation 14plus, aposta-se em Black Burns Fast (2025), de Sandulela Asanda, passado num colégio sul-africano, e d Ni’er (2026), de Yucheng Tan, que acompanha uma jovem chinesa dividida entre expectativas familiares e o desejo de autodeterminação. Uma última nota para The Thread (2025), de Fenn O’Meally, sobre identidade racial na adolescência, e para o documentário Memories of a Window (2026), que olha para a repressão e resistência no Irão contemporâneo.

