Karmele: Asier Altuna adapta “A Hora de Acordarmos Juntos”, de Kirmen Uribe

(Fotos: Divulgação)

Com uma filmografia profundamente ligada às raízes culturais bascas, Asier Altuna regressou ao Festival de San Sebastián — fora de competição — com Karmele, um projeto inspirado no romance La hora de despertarnos juntos (A Hora de Acordarmos Juntos), de Kirmen Uribe, que acompanha a vida real de Karmele Urresti (interpretada por Jone Laspiur), enfermeira forçada ao exílio durante a Guerra Civil Espanhola. Em França, apaixona-se pelo trompetista Txomin Letamendi (Eneko Sagardoy) e, juntos, constroem uma família entre Paris, Caracas e Bilbau, enfrentando o conflito entre amor, lealdade e convicções políticas, fazendo da arte uma ferramenta de resistência de alerta sobre o avanço do fascismo.

É uma narrativa de exílio, deslocamento e esperança, temas que continuam atuais”, explicou Kirmen Uribe aos jornalistas em San Sebastián, admitindo que esta história acompanhou-o desde criança, pois conhecia a família. Já para Altuna, a singularidade da biografia de Karmele e Txomin residia nas viagens, na música e no compromisso com a liberdade: “Vi logo que havia material para cinema — até demasiado. O maior desafio foi retirar e contar a história através das personagens.” O realizador acrescentou que adaptar a obra ao cinema foi um enorme desafio: “Trabalhámos com tempo, fizemos uma pré-produção longa e cuidada. Gravámos previamente toda a música, preparámos minuciosamente cenários e figurinos. Rodeei-me de amigos e profissionais excelentes. O mais importante foi manter sempre o foco nas personagens, mesmo em contextos de grande escala.

Realizador de Aupa Etxebeste! (2005), correalizado com Telmo Esnal, Bertsolari (2011), documentário poético sobre a tradição oral da improvisação em verso, e de Amama (2015), onde explora o choque de gerações numa família rural, Altuna mergulha agora, em Karmele, no território histórico do exílio, do amor e da resistência, sem perder o vínculo às raízes bascas — que passa também pela música. “A música foi um elemento emocional e narrativo”, explicou o realizador. “Ela acompanhava o percurso das personagens, do exílio ao regresso. Em termos visuais, quisemos algo contido, contado através de olhares mais do que de palavras. Entre as inspirações esteve Cold War [de Paweł Pawlikowski], pelo modo como articula música, política e sentimentos numa época difícil.

O Festival de San Sebastián decorre até 27 de setembro.

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