Estreante no mundo do cinema documental, a realizadora Sofia Coppola levou até Veneza este ano Marc by Sofia, um objeto centrado no trabalho e na sua amizade de décadas com o designer norte-americano Marc Jacobs.
O filme acompanha, com atenção ao pormenor, à criação da coleção primavera/verão 2024, mas vai além do registo de bastidores, misturando filmagens recentes com arquivos, excertos de cinema e referências culturais, criando uma colagem visual que entra no campo do ensaio pessoal sobre amizade, estética e disciplina criativa.
“Nunca me teria passado pela cabeça tentar fazer um documentário. Não era algo que soubesse fazer, e achei excitante experimentar algo novo”, disse Sofia Coppola aos jornalistas em Veneza, acompanhada na conferência de imprensa pelo próprio Marc Jacobs, o montador Chad Sipkin e os produtores R.J. Cutler e Jane Cha Cutler. “Quando me propuseram filmar sobre o Marc, a primeira reação foi: “Não, não consigo. É demasiada pressão.” Ele é meu amigo há 30 anos, gosto imenso dele e teria de ser bom. Mas depois pensei que seria maravilhoso mergulhar nos arquivos, revisitar a sua obra incrível, acompanhar o processo de uma coleção desde o início até ao desfile final.”

Confessando que o projeto tornou-se muito pessoal, “quase como um filme caseiro”, Sofia diz que às vezes ia sozinha com a câmara ter com Marc e a sua equipa, que se mostrou sempre preparada para a receber. “Acho que partilhamos uma linguagem comum. Pessoas criativas entendem-se. Conhecemo-nos nos anos 90, tínhamos gostos parecidos em artistas e música. Sempre gostei de conhecer o processo criativo de outros, e sendo uma amiga tão próxima, foi especial acompanhar as suas vulnerabilidades e entusiasmos.”
“Gostei da sua abordagem, nada convencional, muito orgânica e natural. Nunca lhe questionei nada, limitei-me a acompanhar o que ela queria fazer”, disse Jacobs a Veneza, sendo completado por Chad Sipkin: “O filme transforma-se numa espécie de colagem: memórias, amigos, influências como Malcolm McLaren ou Vivienne Westwood, e também a música. É um grande mosaico, muito musical.”
Quando questionada sobre planeia fazer mais filmes documentais, a cineasta diz que não, mas que esta experiência abriu-lhe os olhos para novas formas de contar histórias. “Gostei muito de experimentar e de trazer algo pessoal e inspirador”.
“Vou continuar a tentar convencê-la a fazer mais documentários”, brincou Marc, que aos 62 anos mostra-se menos provocador do que o era no início da carreira, e que lhe valeu o epíteto de enfant terrible.

