Mona Fastvold em Veneza: “Criar um filme num mundo ainda dominado por homens implica construir uma comunidade diferente”

(Fotos: Divulgação)

Um ano depois de apresentar com Brady Corbet em Veneza O Brutalista, Mona Fastvold regressou ao certame com a sua mais recente longa-metragem como realizadora: The Testament of Ann Lee (O Testamento de Ann Lee), uma fábula inspirada na vida da fundadora dos Shakers — um movimento religioso radical nascido no século XVIII.

Líder carismática que desafiou a ortodoxia da Igreja anglicana, introduzindo uma forma de culto marcada pelo êxtase, pelo canto e pela dança vibrante, Ann Lee foi perseguida pela sua fé, partindo para a América em 1774 com um pequeno grupo de discípulos, onde continuou a sua missão de conversão e de construção de uma comunidade utópica.

Falar de liderança feminina hoje é muito pertinente”, disse a cineasta norueguesa em Veneza. “Para mim, criar um filme num mundo ainda dominado por homens implica construir, no set, uma comunidade diferente: amável, empática, onde todos contam. Encontrei isso na história de Anne Lee — a forma como orientava os outros, como geria relações e como deixava as suas ideias permear um lar “secular”. Tinha compaixão verdadeira e um desejo de igualdade entre mulheres, homens e crianças. Era isso que queria espelhar”.

The Testament of Ann Lee

Mais do que uma reconstituição histórica, o filme invade o terreno do impulso criativo que movia Ann Lee, fosse a busca da justiça, da transcendência ou das graças comunitárias. “O lado performativo e sonoro dos Shakers apontava para a construção de um musical”, acrescentou Brady Corbet, que aqui tem apenas os créditos do argumento, como Mona teve em O Brutalista.  “Acreditamos que um filme deve servir uma visão — “um mestre de cada vez”, digamos. Este é o filme da Mona; ela teve “final cut”. 

Quando questionada sobre o seu papel de Ann Lee, Amanda Seyfried disse que abordou todo o projeto com enorme alegria, muito graças à forma como a Mona dirigiu tudo. “Senti-me parte de um “movimento” em que cada pessoa tinha uma função. Enfrentei muitos desafios, mas estava sempre amparada por artistas que se apoiavam mutuamente e partilhavam a visão da Mona — algo raríssimo. Interpreto uma mulher marcada pela dor, que encontra fé e lugar num mundo onde as mulheres não lideravam. Foi iluminador e quase terapêutico.

A Amanda é poderosa, ternurenta, uma mãe extraordinária — e tem uma ousadia “boa”, adicionou Mona, acrescentando que foi muito afortunada no elenco.

O Festival de Veneza termina a 6 de setembro.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/6l4b

Últimas